ESTÁ A TENDA ARMADA E O ARRAIAL INSTALADO

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA

1 – O que no falar popular poderá ter várias interpretações e em que, o seu significado real, talvez seja o menos empregado.

Donald Trump, a contas com uma eleição intercalar em novembro, tem feito um enorme esforço para se manter calado, tentando reverter uma má imagem interna junto do eleitorado dos States (Estados Unidos da América – EUA), tentando que, uma vitória dos Democratas para a Câmara dos Representantes e para 35 lugares do Senado não aconteça, o que cercearia enormemente a atividade governativa do atual Presidente Americano.

O desespero é tão grande por parte do atual Presidente, que já ofereceu publicamente 7500,00 $ a quem votar na candidatura Republicana, coisa que para nós europeus, faz imensa confusão quando se ouve falar à boca cheia em democracia, quando se compara os EUA com os países que com ele concorrem pela supremacia mundial.

 

2 – A guerra no Médio Oriente continua, com o vespeiro desperto pela intervenção dos EUA contra o Irão, agora talvez numa versão assaz diferenciada, com a entrada em cena dos rebeldes Houthis, sediados no Iémen, mas que agora se ‘passeiam’ por toda a região, em busca dos interesses americanos instalados.

A facilidade, expressa na mobilidade praticada por estes grupos, o tipo de guerra praticado, uma guerrilha bastante autónoma em relação a qualquer comando centralizado, permitem-lhes acercarem-se dos alvos a maior parte das vezes sem serem detetados, facultando-lhes o desenvolvimento de uma ofensiva de proximidade, bastante difícil de combater.

Todas estas contingências ignoradas pelos EUA aquando do ataque ao Irão, e a que internacionalmente os comentadores chamam de vespeiro, inviabilizando um qualquer acordo internacional imediato, deixa sombrio o panorama político-militar que os Americanos terão de enfrentar no futuro próximo e naquela região.

Atualmente existe um acordo político entre os Houthis e os EUA, que vai permitindo a passagem de abastecimentos às bases americanas sediadas no Médio Oriente, acordo que de dia para dia se vai fragilizando, qual dique sujeito à erosão de uma grande cheia e, como tal, poderá colapsar a qualquer momento.

 

3 – A Europa, continua a braços com uma contestação interna em vários Países, cujos cidadãos começaram a aperceber-se dos desvios de fundos orçamentais para os esforços de guerra, atingindo fortemente o seu modo de vida e as suas condições básicas de sobrevivência no dia-a-dia.

Os EUA, tentam construir novos suportes políticos no Velho Continente, afetadas que foram as suas relações com a França e Espanha, só assim se podendo interpretar a recente visita do Secretário de Estado Americano Marco Rubio ao nosso País, para se reunir demoradamente como o nosso Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiro Paulo Rangel, e feito uma visita protocolar ao nosso Primeiro Ministro Luís Montenegro, sem que tenha transpirado para o exterior as agendas desses encontros.

Não andaremos longe, se imaginarmos que sobre a mesa estiveram as bases aéreas das Lages e de Beja e o terminal portuário de Sines.

 

4 – Nestes últimos dias, tem recrudescido por toda a Europa, uns movimentos de cidadãos protestando contra o aumento do custo de vida e uma grave falta de habitação, os dois tópicos que têm funcionado como ‘leitmotiv’ de toda esta agitação social que varre o velho continente, desperto ‘tarde e a más horas’, como soe dizer-se, para esta problemática, e que encontra os seus polos principais no Sul e Centro da Europa.

Fruto da inércia até aqui praticada pelos responsáveis políticos europeus, que perante a ameaça de guerra à porta, como que correram desenfreadamente para uma política de rearmamento, tentando colmatar o seu laxismo político das últimas décadas, principalmente quando se começou a observar, nos últimos anos, o afastamento americano das alianças constituídas no pós-II Guerra Mundial.

Poder-se-á dizer, recorrendo a uma terminologia muito popular, que ‘está a tenda armada e o arraial instalado!’.                 JOSÉ MANUEL CLARO