Alentejo Litoral: o futuro escreve-se com “S” de Sustentabilidade?

Sofia Moreno

Na última década, a discussão em torno da sustentabilidade, quer do ponto de vista das políticas públicas, quer na relação das empresas com os seus clientes, consumidores, fornecedores e parceiros, ganhou uma forte relevância. Tomamos cada vez mais consciência de que precisamos de cuidar do meio ambiente para vivermos em equilíbrio. A desflorestação, a gestão de resíduos, a utilização ponderada de recursos naturais, a preservação dos solos, o combate à poluição, são temas preponderantes para garantirmos que a vida local (e global) seja mais saudável e mais equilibrada do ponto de vista social. O certo é que as empresas e demais Instituições são agentes de mudança e têm, por isso, a capacidade de impactar as vivências das Comunidades onde se inserem, moldando as dinâmicas coletivas.

No Alentejo Litoral, esta realidade não é diferente. Uma Região fortemente impulsionada pela capacidade do complexo industrial de Sines, pela atração de investimento direto estrangeiro para projetos nacionalmente estratégicos (nomeadamente no âmbito da transição energética), pelo turismo e pela agricultura. Significa isto que os recursos existentes se podem tornar escassos e que o Alentejo Litoral pode sofrer uma descaracterização que leva à inevitável perda de coesão, ao declínio da autenticidade, à degradação ambiental e a uma rutura social e demográfica.

Como podemos, então, progredir sem destruir?

A verdadeira sustentabilidade constrói-se com as pessoas.

Os grandes investidores e gestores de bens públicos precisam de encontrar um ponto de equilíbrio no diálogo envolvendo as comunidades. Aceitar um modelo governativo que esgote os recursos naturais, sem respeito pelos limites da terra e sem valorização dos recursos endógenos representa hipotecar o futuro. A sustentabilidade financeira depende da sustentabilidade ambiental e social. Isto significa que o crescimento só acontece de forma equilibrada se juntos (comunidades, poder local e indústrias/ investidores) tivermos a capacidade de reter valor, de diversificar o mercado, de resistir a crises. Temos o território, o conhecimento e a capacidade para sermos um modelo ibérico de transição verde para o mundo. Há que garantir habitação acessível, empregos qualificados, serviços de saúde e educação de proximidade que não excluam – nem pelas dificuldades de acesso prático e logístico, nem pela escassez face ao crescimento populacional. Esperemos poder afirmar no futuro que o presente do Alentejo Litoral se escreveu, de facto, com “S”, de “Sustentabilidade”:

Sofia Moreno