Sofia Moreno
O Litoral Alentejano é, hoje, uma das regiões de Portugal sobre a qual se cria uma elevada expectativa de desenvolvimento económico. A possibilidade de crescimento da atividade em torno do Porto de Sines, o “descolar” do complexo industrial e a atração de um turismo seletivo (e de luxo) colocam esta região sob os holofotes do investimento estrangeiro.
No entanto, historicamente, o que tem vindo a promover a construção da identidade desta região tal como a conhecemos – com toda a sua autenticidade – são as pequenas e médias empresas (PME), que permitem sustentar famílias, criar empregos de proximidade, fixar gerações e manter viva a alma local. Mas, a sobrevivência e o crescimento destas organizações enfrentam desafios que parecem ir além da capacidade de resposta que as próprias PME têm. A falta de mão-de-obra (seja qualificada ou não) é uma realidade. O capital humano é absorvido pelos grandes grupos empresariais criando uma competição desproporcional pelos recursos humanos disponíveis; o acesso à habitação é incompatível com os salários médios, o que leva à incapacidade de fixação das populações. Por outro lado, o acesso ao financiamento e a apoios comunitários é excessivamente burocrático e inflexível, promovendo a estrangulação. Significa isto, que os pequenos empresários acabam por acumular tarefas em vez de se poderem dedicar à gestão, por se envolverem cada vez mais nos problemas em detrimento da construção de soluções e por se distanciarem progressivamente da possibilidade de atingirem um nível de maturidade empresarial com escala e dimensão. A criação deste abismo entre a capacidade das PME e a plena dominância das grandes empresas acentua-se ainda mais quando as tomadas de decisão dos grandes grupos empresariais estão fora dos concelhos que constituem o Alentejo Litoral (não permitindo sequer às PME serem fornecedoras locais dos grandes players).
Para que o Litoral Alentejano não se transforme numa economia descaracteriza é vital blindar o ecossistema local. É urgente exigir responsabilidade na instalação de grandes projetos, criar redes de cooperação e aproximar as grandes empresas das PME locais. Cuidar dos pequenos negócios, criar oportunidades aos empresários não é só uma opção política, é uma urgência territorial.


