Sab. 6,12-16; 1 Tess.4,13-18; Mt. 25, 1-13
A liturgia deste Domingo convida-nos, faz-nos um apelo à vigilância, a caminharmos pela vida atentos ao Senhor que vem, a ter o coração sempre preparado para O acolher.
A 1ª leitura faz um louvor à sabedoria proveniente de Deus.
Esta sabedoria torna os homens prudentes e ensina-lhes a não desperdiçar a vida em coisas vãs; mas, empenhá-la, fazendo o Bem, à espera de Deus.
Cristo é a plenitude da SABEDORIA.
Para que a sabedoria ilumine a vida do homem, só é preciso disponibilidade para A acolher.
A sabedoria, Bíblica, não é apenas saber, mas viver o que é certo diante de Deus. Ela não se resume a inteligência, experiência ou capacidade de argumentar. Na sua essência é, viver segundo a perspetiva de Deus, tendo o temor do Senhor como ponto de partida e alicerce seguro. (Pr. 1,7; 9:10). A sabedoria nasce num coração que teme o Senhor, confia n’Ele e deseja agradar-LHE em todas as áreas da vida.
A verdadeira sabedoria envolve caráter, humildade, dependência do Senhor e disposição para obedecer à sua vontade cumprindo o Seu projeto.
A sabedoria transforma, molda o coração, restaura relacionamentos e conduz à paz. Ela revela-se na forma como falamos, administramos recursos, tratamos a família, enfrentamos conflitos e lidamos com tentações. A Sabedoria de Deus afeta toda a vida do crente, ele reconhece Deus como centro da sua vida.
A SABEDORIA, é um dom de Deus, que se oferece aos homens e os ajudar a fazer escolhas acertadas, a saber distinguir o bem do mal, e os conduz pelos caminhos que levam à verdadeira felicidade.
Temos o Evangelho, com mais uma parábola, sob a figura das núpcias. Ela apresenta a relação entre Deus e o homem.
A existência é uma espera vigilante de Deus, ocupada em boas obras. Estas, são o óleo que alimentam a lâmpada da fé.
Aqueles que preparados, previdentes, atentos aos sinais dos tempos, que acenderam a chama da fé no batismo, e continuam a alimentar a fé, com oração, Sacramentos, com a Palavra de Deus, com boas obras e hoje são fiéis a Deus e vivem atentos às vindas de Cristo, são as Virgens prudentes.
O cristão despreocupado com as realidades profundas, imprevidentes, acomodados, julgam que no momento oportuno haverá alguém que os ajude e descansam…. Os que se contentam em acender a chama da fé no dia do batismo, mas, hoje não fazem nada para a alimentar. Cristo cruza o seu caminho, vai ao seu encontro, no concreto da vida, mas, distraídos, não O reconhecem nem fazem caso. Estes são as Virgens imprudentes, são aqueles aos quais Cristo um dia fechará a porta, dizendo: “Eu não vos conheço”. (Mt.25,12)
E a parábola chama-nos atenção: “ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora…” (Mt.25,13)
O cristão vive empenhado e fiel ao projeto de Cristo.
Vigiar é ser previdente, alimentar a chama, com reserva, não apenas o mínimo necessário. Se faltar o óleo, a comunidade não realiza a festa, não participa dela. Sem óleo, a lâmpada apaga-se e a comunidade estaciona.
Somos convidados a estar atentos aos sinais de Deus, para reconhecer o Seu rosto e a Sua voz: no grito dos desprotegidos; naqueles que anunciam a Paz, naqueles que clamam por justiça, amor, respeito, igualdade….
Vigilância é sinal de amor, quem ama fica vigilante de olhos e coração abertos.
Deus não virá somente no fim do mundo, é preciso esperá-lo todos os dias.
Deus está sempre connosco. Jesus permanece sempre ao nosso lado.
Cristo continua advertindo; “ficai vigiando” … A liturgia de hoje convida-nos a esperar: com muito amor na lâmpada do nosso coração; com muita sabedoria na lâmpada da nossa mente.
Na 2ª leitura S. Paulo diz-nos: A vida eterna não termina no vazio, mas no encontro com Cristo, que virá para concluir a História humana. A morte nos introduzirá nas núpcias eternas, onde estaremos sempre com o Senhor.
Maria da Conceição Martins f.m.m.

