Este mês é dedicado à sensibilização para a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama. Outubro rosa, como é conhecido de todos nós. A realidade desta doença direta e indiretamente já ‘bateu à nossa porta. Por isso estamos tão sensibilizados para ela. Pode atingir qualquer um, homens e mulheres, independente da sua condição social, origem, história. Assuma a forma que for quase todos nós já contactámos com alguém (pai, mãe, filho, avô, tio, primo, amigo, irmão, etc) que possa ter passado ou esteja a passar por ela. Somos tocados de alguma forma a nossa humanidade.
A doença, o sofrimento, têm, de forma quase paradoxal, esta capacidade de formar o nosso coração, de fazer-nos crescer em humanidade, em empatia, de nos fazer próximos dos outros, de nos tornar compassivos. Muitas vezes sentimo-nos incapazes, queríamos eventualmente fazer mais, ajudar mais, dizer mais, mas o que conta é, pelo que vou acompanhando, a nossa presença. O nosso ‘estar’ ali, ser uma companhia que apesar de não ter todas as respostas, ou mesmo nenhumas, permanece, simplesmente está, olha, abraça, pega na mão, cuida e escuta.
A partir da minha experiência indireta, no sentido em que não o vivi em primeira pessoa, percebi como é importante a qualidade do ‘estar’. E por qualidade do ‘estar’ entendo esta presença ativa, que escuta, que olha nos olhos, que acolhe. Por vezes, queremos dizer muito, falar muito, responder muito, centramos a questão em nós, dependendo de nós, como se estivesse nas nossas mãos. Precisamos de aprender a escutar mais e falar menos. Tudo se aprende, também nesta matéria.
Tenho assistido à qualidade, técnica e humana, dos nossos profissionais de saúde, e aqui englobo todos. Desde quem trata a quem limpa. Todos são importantes e todos contam. É preciso fazer o bem, mas também é necessário fazer o bem, bem feito. Quer dizer, é necessária a formação do coração, mas não é suficiente, pois é também necessária a formação técnica e especializada de cada um segundo a sua função e missão.
Portugal tem feito um caminho extraordinário nesta matéria seja na evolução da investigação com resultados notáveis, seja nos cuidados médicos e técnicos, no uso de recursos e aquisição de instrumentos de diagnóstico, de tratamento, etc. Mas também é importante referir a qualidade do voluntariado, entre nós temos a Missão Coragem, e do acompanhamento espiritual. Há uma consciência cada vez maior da necessidade e importância deste acompanhamento. O ser humano é um todo, na sua dimensão biológica, psicológica e espiritual. Tudo e todos, também as famílias dos que estão doentes, precisa de ser cuidado. Também aqui estamos na linha da frente com equipas multidisciplinares.
Recordo quando no IPO de Lisboa, em tempo de pandemia, o Capelão daquela Unidade, Padre Custódio Langane, visitava e escutava um familiar doente, prestando-lhe os cuidados humanos e espirituais de que precisava. Era ele quem nos dava notícias e também fazia algumas vídeo chamadas para podermos ver a nossa familiar. Fica a nossa gratidão ao Padre Custódio.
Deixo o apelo para estar atento e fazer os rastreios necessários e que são recomendados pelos profissionais de saúde.


