CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro
1 – Iniciou-se mais um ano escolar, com os problemas dos anteriores, só que numa escala mais gravosa, dando razão aos Velhos do Restelo que, antevendo o óbvio, passam a vida a dizer que o ‘Rei vai nu’, sem se dignarem conceder um qualquer contributo que conduza à solução do endémico problema, de não se conseguir vestir o Rei.
Poder-se-ia circunscrever este alvoroço no arranque oficial das atividades escolares, à falta de professores, mas todo este alarido, esconde um icebergue muito mais gigantesco, e que tem na sua parte mais submersa, a falta de condições das nossas escolas para o seu principal desempenho que é o da formação de cada jovem.
As escolas não se fizeram para educar as pessoas, mas sim para formá-las para uma vida ativa e rentável em termos socias. Educação, essa ministra-se em casa, no ambiente familiar em que o novo ser está inserido.
Só esta pequena deriva sobre a funcionalidade real das escolas, levar-nos-ia bem longe nos considerando que por aqui, à laia de conversa, vou trazendo, mas fico-me por este separar das águas no que diz respeito aos deveres do Estado para com o cidadão. A formação escolar é um Direito Constitucional e como tal deverá ser assumido e exigido, por todos os Portugueses.
2 – No princípio da passada semana, a OCDE publicou um relatório em que afirmava que a falta de professores é um fenómeno que se generalizou a todo o mundo e até preconizou umas quantas medidas tendentes a obstar ao alastrar da situação, tendo concluído: «…que é preciso aumentar salários, atribuir subsídios, mas também tornar a profissão mais respeitada. Acesso a berçários, creches e ao pré-escolar tem melhorado, mas ainda existem grandes desafios, para alcançar as famílias mais desfavorecidas».
Já agora, convirá talvez acrescentar a urgente necessidade de conceder alojamento para professores e alunos que, logisticamente, tenham de se ausentar da sua área de residência habitual, para se formarem ou darem formação, no caso dos professores.
3 – Estas carências, num País pequeno como o nosso, muitas das vezes evidenciam a falta de preparação dos nossos políticos, para ocuparem os cargos a que se candidatam, principalmente os das cúpulas partidárias.
Todos se recordarão quando em 2019 / 2020, tivemos de enfrentar um surto pandémico e a forma eficaz como o fizemos, tendo sido evidenciado por esta altura, que num País pequeno como o nosso, tudo se torna mais fácil em termos de coletivo, do que em sociedades maiores.
Aliás, a falta de professores reconhecida pela OCDE, como fenómeno coletivo, terá, à semelhança dos surtos pandémicos, uma solução mais fácil na nossa sociedade, do que noutras maiores e tidas como mais avançadas, se bem que essa catalogação, igualmente seja subjetiva e passível de várias interpretações e juízos.
4 – Não preconizamos uma normalização para a crise do ensino, com base numa solução tida como providencial, à semelhança da que foi assumida pelo governo de então face à pandemia, até porque não teríamos ‘Almirantes’ que chegassem no quadro da nossa Marinha, sendo que posteriormente surgiria sempre um outro problema, o das suas colocações políticas, quando passassem à reserva.
A propósito disto, achamos que é de um mau gosto terrível, um País que se debate com a sua sobrevivência enquanto Nação que deu novos mundos ao mundo e que hoje nem por isso, esteja a já discutir quem irá ocupar em 2026 a cadeira da Presidência da República.
Uma coisa é certa, dar uma sociedade estruturada e sólida às futuras gerações, não será propriamente como vacinar uma população, porque este objetivo de assegurar um futuro condigno a quem cá vive, passa sempre por, de uma vez por todas, os objetivos políticos primordiais deixem de ser a divisão do bolo propiciado pelos impostos e por um ou outro subsídio vindo dos cofres da União Europeia, pelas diferentes classes sociais, sem a mínima preocupação de manter aquilo que fizemos de bom, o Serviço Nacional de Saúde, por exemplo. JOSÉ MANUEL CLARO


