Alçada Batista comentou num dos seus livros uma história curiosa acerca de Jorge Luís Borges. O escritor e poeta argentino foi abordado na rua por uma senhora que lhe perguntou “O senhor é Jorge Luís Borges, não é?”, ao que ele respondeu “`Às vezes…”.
Comenta Alçada Batista que, de facto, às vezes somos nós mesmos, mas se calhar a maior parte do tempo não nos cumprimos, somos uma sombra de nós… Porquê? Pelas mais diversas razões, penso eu. Porque estamos demasiado concentrados nas espectativas dos nossos pares, porque temos medo de seguir um sonho e falhar ou porque estamos demasiado aflitos na tentativa de sobreviver a situações limite…
O Leme, nos seus últimos números, destacou notícias preocupantes como o aumento da violência entre os jovens na região ou das crianças e jovens em risco. Contudo, foram mais as notícias positivas, como o testemunho de um grupo de jovens do ensino especial que atuaram nas comemorações do aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes ou os prémios a nível nacional conquistados pelos alunos de diversas escolas do concelho de Odemira ou pelos jovens desportistas do litoral alentejano. O que determina que um jovem se afirme pela violência ou desenhe um caminho original, na ciência, na arte ou no desporto?
Fazer com que cada jovem se cumpra é coisa que emerge naturalmente de famílias equilibradas. Não estou a falar de famílias com mais cultura ou dinheiro; o bom senso e o respeito pelos filhos não se espelham no recibo de vencimento nem no diploma universitário.
O artigo completo na edição em papel de 05 de Julho de 2014, n.º 627

