Meditar a Palavra de Deus
1Rs 19,9a.11-13; Rm 9,1-5; Mt 14,22-33
As leituras deste Domingo mostram-nos as diversas formas de Deus se revelar ao seu povo.
Na primeira leitura Deus revela-SE, a Elias, na brisa suave e ali lhe fala.
Deus manifesta – se no silêncio, na humildade, na simplicidade, na interioridade.
É preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo para consultar o coração, para ouvir a Palavra de Deus, para perceber a presença de Deus e as Suas indicações, nos sinais, do dia a dia, muitas vezes discretos, que ELE deixa na história e na vida de cada um de nós.
E podemos perguntar: Onde está Deus? Onde O podemos encontrar? Como O reconheço? E onde é que eu O encontro: no silêncio, na humildade, ou na agitação e nos gestos espetaculares?
Sempre que dois ou três se reúnem em nome de Deus – escutando a SUA PALAVRA e pondo-a em prática – Jesus está VIVO, ATUANTE e RESSUSCITADO no meio deles (cf Mt. 18,20)
No Evangelho, Deus revela – SE na TEMPESTADE.
Jesus envia os discípulos em missão para a outra margem do lago e, cansado, despede- se da multidão, sobe ao monte para orar a sós.
Os apóstolos navegam “de noite” preocupados, porque a barca estava agitada pelos ventos fortes e Jesus não está com eles .
Jesus “caminha sobre o MAR”. Parece-lhes um fantasma.E diz-lhes: “Coragem, SOU EU, não tenhais MEDO”.
Para nós, que barca será esta?
Pode ser cada um de nós. Pode ser a comunidade cristã. A barca da Igreja.
Os Apóstolos navegavam “de noite”.
Na vida do crente a “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes, através da história, navegaram e navegam os discípulos de Jesus, sem saberem que caminhos percorrer, nem para onde ir, procurando soluções sozinhos, sem a LUZ.
A barca era levada pelas “ondas”
Hoje estas “ondas” representam a hostilidade do mundo, forças adversas, as contrariedades, a negação de Deus, as contradições que batem, forte e continuamente, contra a barca onde viajam os discípulos de Jesus, sem a SUA presença.
A barca era fustigada pelos ventos.
Também hoje há “ventos contrários”. São as resistências ao Projeto de Jesus, as tendências adversas, as dificuldades em escutar a Sua Palavra, as muitas vozes que desviam do que é importante, as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades, a vida cristã sem raíz verdadeira. Hoje, são tantos os ventos contrários !
Os discípulos de Jesus, quando andam à margem de Deus, sentem – se perdidos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades da frustração, do desânimo, da desilusão que a força (do “mar”) lança contra eles …(e Pedro grita por socorro: “Salva-me, Senhor!”) Pedro duvida, o que é próprio do ser humano.
É precisamente aí, que Jesus manifesta a SUA presença. ELE vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar” e acalma o mar, e nasce a luz, a esperança e a desconfiança transforma-se em fé firme. “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”. É assim que acontece connosco?
Hoje, como naquele tempo, a caminhada não é fácil. A comunidade (a “barca”) dos discípulos deve abrir caminho apesar do mar de dificuldades, das hostilidades dos adversários do Reino e da recusa do mundo em acolher o Projeto de Jesus.
Hoje, os discípulos, são convidados a estar conscientes da presença de Jesus, a ter confiança. ELE caminha connosco e acalma o mar agitado.
O “fantasma” do MEDO desvanece e as crises de fé são superadas, quando aceitamos e acreditamos na presença de Deus na nossa vida pessoal e comunitária.
Ele continua a garantir: “Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo”.
Quando Jesus entra na BARCA, o vento e as ondas param… e volta a tranqüilidade… a união… a esperança,… a paz.
Na brisa suave da confiança e do abandono, Deus revela-se, sustenta-nos para continuar a caminhar, mesmo no meio das dificuldades. Jesus vai na barca.
Maria da Conceição Martins f.m.m.

