Por Emérico Gonçalves,
Desde há muito criou-se uma tendência na governação política da educação em Portugal, a de reformar. Seria importante perceber essa ansiedade política, continuada no tempo, de reformar a educação, entenda-se reformar. Terão existido propósitos para dar nova forma à educação? Até acredito que, eventualmente, terão existido algumas boas intenções, pelo menos, em certos momentos da história recente da educação em Portugal. A questão essencial é saber se se criaram propósitos para o efeito. Bem sabemos, em termos absolutos, que não. O passado fala por si, um passado rasgado por medidas disformes.
A educação em Portugal tem sido um baluarte, alvo de mísseis ideológicos, de teorias pedagógicas avulsas, ou ainda de
interesses económico-financeiros, como expressão dos interesses dos diversos governos.
Os governantes têm demonstrado não conhecer a questão fundamental no diz respeito à gestão de políticas educativas, a
questão do tempo. O tempo não casa com a ansiedade política, antes atropela-se em retalhos de quadros legislativos, lançando, muitas vezes, o caos na escola pública. Por outro lado, de nada serve tentar perceber a educação no tempo se não se compreender os diversos contextos em que ela se desenvolve, a questão do espaço, por outras palavras, a escola.
Artigo completo na edição em papel de 18 de fevereiro de 2016 n.º 664

