Uma exposição fotográfica sobre o quotidiano dos cuidadores informais vai ser inaugurada, no dia 24 deste mês, no Centro de Artes de Sines (CAS), para alertar para uma realidade muitas vezes vivida dentro de portas.
Intitulada “Retratos dos Dias Difíceis 24/7”, a exposição itinerante, da autoria do fotojornalista Nuno Pinto Fernandes, chega este mês a Sines, no distrito de Setúbal, e dá a conhecer o dia-a-dia de cuidadores informais do concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança.
O projeto resultou da experiência pessoal do fotógrafo, cuidador do pai, e de conversas com técnicas daquele município minhoto sobre a necessidade de mostrar o que representa cuidar diariamente de um familiar.
“Havia muita necessidade de mostrar o que é ser cuidador informal no interior [do país] e, em conversa com algumas técnicas do município, surgiu esta ideia”, explicou hoje à agência Lusa o fotojornalista.
Durante três semanas, Nuno Pinto Fernandes acompanhou diferentes relações familiares, desde mães e pais que cuidam de filhos a mulheres que acompanham os maridos, retratando “situações reais, sem encenação”.
Através da mostra, o fotojornalista pretende alertar para a realidade “de um cuidador que não pode muitas vezes sair de casa porque a outra pessoa necessita do seu apoio para tomar banho, para ir à casa de banho, para comer”.
E vai mais longe ao chamar a atenção para as dificuldades que estas famílias enfrentam no interior do país.
“Principalmente aqui, em Trás-os-Montes, onde o acesso das aldeias às vezes não é o melhor” e os cuidadores têm de “deixar os familiares com outras pessoas para poderem ir ao centro de saúde [ou] às finanças”, descreveu.
A mostra procura precisamente traduzir essa disponibilidade permanente: “Uma das cuidadoras disse não precisar de relógio. Sabe a que horas é que ele precisa de comer, precisa de ir à casa de banho, precisa de alguma coisa”, exemplificou.
Para Nuno Fernandes, a ideia é poder também mostrar “aos governantes o que é viver no interior com estas dificuldades todas e até ao nível de ajudas do próprio Estado”.
Durante a realização do projeto, cada cuidador foi também convidado a explicar em vídeo o significado que atribuía à sua dedicação, surgindo testemunhos associados, entre outros, ao “amor e ao carinho” pela pessoa cuidada.
A exposição, que vai estar patente no CAS até 14 de novembro, reúne cerca de 67 fotografias, todas a cores, para evitar uma leitura dramática da realidade retratada.
“Isto não é um drama, é um alerta”, afirmou o fotojornalista, sublinhando que o objetivo é mostrar as pessoas e sensibilizar a sociedade para o esforço físico e psicológico do cuidador permanente.
“Reflete-se na sociedade que está espalhada pelo país inteiro e as pessoas, muitas vezes, ou ignoram ou olham para o lado, não têm a noção da parte psicológica” do cuidador informal, alertou.
Além da exposição itinerante, o fotojornalista pretende acompanhar durante mais tempo o quotidiano dos cuidadores, dentro e fora de casa.
HYN // RRL-Lusa

