CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA
1 – Mas demos, e aí estamos em plena segunda volta das eleições para a Presidência da República, desnecessária pelo comportamento evidenciado pelos candidatos, ao longo da primeira volta em que poucos disseram ao que iam, e outros aproveitaram a oportunidade para se mostrarem ao povo, como que a quererem ganhar currículo para outros voos políticos.
Da primeira volta, resultou a evidência de que nem sempre a proliferação de candidaturas, poderá ser interpretada com um ato democrático, e muito menos como atividades de subsistência material de alguém.
Com uma pré-campanha que se arrastou por demasiado tempo, com uma campanha que definiu ao que vinham os candidatos, através dos seus comportamentos, por umas eleições que evidenciaram precisamente essas posturas e, sobretudo, uma manifesta demonstração de uma iliteracia política por parte do povo português, que não encarou o ato com a necessária urbanidade de que ele não soube ou não lhe foi permitido revestir-se.
2 – Desde independentes, mesmo independentes de qualquer força política, aos políticos em exercício e ligados às suas forças políticas a que pertencem, aos politicamente afastados das cúpulas e das lides partidárias ativas e a um independente tentando explorar um capital de reconhecimento social por um serviço prestado à Nação, enquanto na situação de cumprimento militar profissional, houve de tudo um pouco, como soe dizer-se.
Quando se fizeram debates conjuntos, um deles em simultâneo com todos os candidatos, que só serviu para baralhar mais o politicamente iliterato eleitorado português, foi como que o apogeu do caos se tivesse instalado na nossa sociedade.
Como resultado de tudo isto, surgiu a necessidade desta segunda volta, que só difere da primeira, pelo reduzido número de candidatos agora submetidos a sufrágio, apenas dois.
3 – Quando se esperaria um clarificar das propostas de cada candidato, no debate televisivo levado a efeito no passado dia 27 de janeiro, eis que a montanha pariu um rato.
A surpresa da análise não advém do proferido pelos candidatos, antes pelo contrário, enquanto José António Seguro se manteve nas cálidas águas constitucionais, não transvasando os seus considerandos do proposto para o desempenho da função que quer assumir como Supremo Magistrado da Nação, já o seu opositor André Ventura, mais uma vez explicitou os seus propósitos de se tornar líder da direita portuguesa e, com este comportamento, ganhar mais uma fatia de influência junto do eleitorado do espetro político dessa área.
Daí talvez, que as respostas deste candidato aos jornalistas seus interlocutores, nunca fossem diretas às perguntas efetuadas, mas sim uma salganhada de intenções que se configurariam, a breve trecho, num golpe de estado constitucional, que já na nossa última crónica, evidenciámos não ser possível de efetuar com a atual Constituição da República
4 – Quer se aceite ou não, de uma forma genérica, o baixo nível evidenciado pelas candidaturas que se propuseram a esta eleição, este ato terá sempre repercussões na vida política do nosso País, especialmente para o Governo em exercício, como sabemos, entregue ao PSD e a Luís Montenegro.
Este reivindicar de liderança, da direita política por parte do CHEGA, até agora assumido como de génese direitista radical, levará a curto prazo, cremos, a uma resposta por parte do PSD que, na nossa opinião deverá, quanto antes, convocar um congresso extraordinário das suas estruturas políticas, mais que não seja para um redefinir da linha programática e um contar de armas, com que poderá fazer frente ao populismo evidenciado há uns meses a esta parte, ao abrigo mas igualmente à revelia de um ato legítimo da nossa democracia, a eleição para o cargo de Presidente da República.
É importantíssimo, face ao ambiente criado no seio da nossa sociedade civil, a afluência às urnas no próximo dia 8 de fevereiro, para expressarmos mais um ato de cônscia liberdade, do qual a abstenção é o mais perigoso adversário.
Votemos então. O futuro é já ali ao virarmos a esquina do tempo.
JOSÉ MANUEL CLARO


