por João Mendonça
Nas nossas Freguesias, a gestão autárquica deve ser muito mais do que uma função administrativa. Ser Autarca é ser defensor da Comunidade, alguém que trabalha todos os dias para fortalecer o lugar onde vive e para criar condições de prosperidade local.
É nesse espírito que os eleitos das Juntas de Freguesia devem refletir sobre o impacto económico das suas decisões e das compras que realizam.
Quando a Junta opta por adquirir produtos ou contratar serviços a empresas da própria Freguesia, está a investir diretamente no desenvolvimento da terra.
Cada euro gasto localmente circula na economia próxima, gera atividade, cria emprego e contribui para o bem-estar coletivo.
O comércio e os prestadores locais são as verdadeiras fundações da vida económica — quando prosperam, fortalecem toda a Comunidade.
Pelo contrário, quando as Autarquias recorrem sistematicamente a empresas de fora, o resultado é o empobrecimento silencioso do território.
Os lucros desses contratos acabam por ser transferidos para a sede dessas empresas, muitas vezes noutros Concelhos ou cidades.
É lá que os impostos são pagos, é lá que os empregos são criados e é lá que os ganhos se acumulam.
Assim, o dinheiro público da Freguesia deixa de gerar benefícios locais e passa a alimentar economias alheias, provocando a perda de oportunidades que poderiam existir entre nós.
É fundamental que os Autarcas entendam que priorizar o comércio local não é um gesto sentimental ou protecionista — é uma estratégia inteligente de desenvolvimento.
Comprar localmente fortalece o tecido económico, mantém vivas as pequenas empresas, estimula a criação de emprego e consolida um circuito económico sustentável dentro da própria Comunidade.
Mas apoiar a economia local não se resume apenas às compras da Junta.
Implica promover empresários da terra, facilitar a sua participação nos concursos públicos, divulgar iniciativas, criar feiras e estimular parcerias entre comerciantes.
É também essencial que os Autarcas se tornem exemplo, consumindo localmente e mostrando, com gestos concretos, que acreditam na força da Freguesia.
Cada Freguesia só pode ser verdadeiramente próspera se o dinheiro que nela é gerado permanecer e for reinvestido localmente.
A economia de proximidade é a base da coesão social e o motor de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Por isso, cabe a cada autarca, em cada decisão, ponderar: este investimento serve a minha terra ou serve outra?
Quando a resposta a essa pergunta tiver sempre como prioridade o bem comum local, então estaremos verdadeiramente a trabalhar pelo futuro da Freguesia.


