António Vitalino Pastor acolhedor e próximo do seu povo

Neste editorial gostaria de recordar, através de um testemunho singelo, a figura do senhor D. António Vitalino, nosso Bispo Emérito, que faleceu no passado dia 9 de Outubro de 2026, a pouco mais de um mês de completar 85 anos, no passado dia 3 de Novembro de 2026.

O Senhor concedeu-me a graça de residir na Casa Episcopal, durante cerca de um ano, na companhia do senhor D. António, do Padre Álvaro Soares, também de saudosa memória, e das Irmãs Vitalina e Ana, Cooperadoras da Família. Cheguei ao Paço Episcopal em Setembro de 2013, tendo sido o senhor D. António a dar-me boleia a partir de Lisboa até Beja.

Nesse ano colaborei em diferentes serviços que o senhor D. António me ia pedindo: catalogando livros e revistas, no Jornal Diocesano “Notícias de Beja”, com o seu Diretor, o saudoso Padre Alberto, e na Caritas Diocesana. Acompanhava ainda o senhor D. António nas visitas pastorais que ia fazendo por toda a Diocese.

Foi nestas visitas e na convivência na Casa Episcopal que fui conhecendo a personalidade e o carisma do senhor D. António Vitalino. Como transmontano e frade carmelita que era, nascido em Vila Verde, em 1941, Braga, de uma família modesta, mas trabalhadora, percebi que vivia de forma pobre e austera.  Muito cuidadoso na utilização dos bens e poupado nos gastos. Não pregava apenas a pobreza com palavras, mas com a sua vida. Se tinha algum “luxo” consistia investir e andar sempre atualizado na área das tecnologias, não por capricho, mas por compreender que seriam, como se veio a revelar, úteis à missão.

O senhor D. António era um homem alegre, com sentido de humor e piedoso. Celebrava os Sacramentos com zelo e amor, sobretudo a Missa. Não posso esquecer a sua piedade mariana, pois, ao regressarmos a casa, rezávamos sempre o terço a Nossa Senhora e o ambiente era marcado pelo silêncio, próprio de um contemplativo, que também o era.

Nunca o vi, para usar esta expressão, “zangado” ou mesmo aborrecido. Homem de muito trabalho, vivia com verdadeira confiança em Deus e era paciente, aquela paciência segura de quem sabe que Deus tem os seus caminhos e tempos. Nas muitas visitas pastorais que acompanhei, aparecia o nosso Bispo de trato fácil, disponível, acolhedor e sorridente. Era notado, tantas vezes ouvi, pela sua simplicidade e por saber estar com todos, mormente com os mais humildes e pobres. Presença agradável, o senhor D. António era um homem atento e disponível, tinha uma consciência muito prática da vida e das situações. Como tal procurava soluções, caminhos e sempre a comunhão. Era sempre próximo do seu Clero, que estimava e valorizava.

Guardo do Senhor D. António, nosso Bispo, um homem de Deus, que amou a Diocese de Beja e deu o melhor que tinha para a servir quer nos seus diocesanos quer nas suas Instituições religiosas e civis. Tive a graça de ser ordenado padre pelo senhor D. António, a 8 de Dezembro de 2015. Partiu para a Casa do Pai como sempre viveu, próximo de Deus e da sua família.