Helga Nobre
O Município de Sines está a avaliar a entrada no sistema das Águas Públicas do Alentejo, depois de anos fora da estrutura, embora o Autarca admita que a decisão exige ponderação face aos encargos futuros previstos para as autarquias.
Na última reunião do Executivo Municipal, o Presidente da Câmara de Sines revelou ter iniciado contactos para avaliar uma eventual integração no sistema das Águas Públicas do Alentejo.
Uma decisão que os anteriores Executivos Municipais (Movimento SIM – Sines Interessa Mais e PS) não tomaram desde a criação da empresa.
Segundo Álvaro Beijinha, os Municípios que aderiram ao sistema beneficiaram, ao longo dos últimos anos, de”um volume de investimento muito significativo apoiado por fundos comunitários que permitiu resolver um conjunto de problemas nas infraestruturas de abastecimento de água e saneamento”.
Sines, por ter permanecido fora do sistema, “não teve acesso ao financiamento”, argumentou o Autarca que relaciona esta decisão com a dificuldade em concretizar investimentos de maior dimensão no saneamento.
Questionado pelos jornalistas, o Autarca explicou que já manteve contactos com responsáveis da Associação de Municípios para a Gestão da Água Pública no Alentejo (AMGAP) para avaliar uma eventual adesão.
“Estamos a conversar, já tive reuniões, nomeadamente com o Presidente da AMGAP para avaliarmos essa possibilidade”, afirmou.
No entanto, salientou que as condições são atualmente diferentes das existentes quando o sistema foi criado.
“A Águas Públicas do Alentejo está, neste momento, num processo de perspetivar” o “próximo ciclo de investimentos”, que, segundo o Autarca, “não vão ter o financiamento comunitário que houve no passado”.
Esta situação, acrescentou, irá exigir um maior esforço de capitais próprios da empresa e, consequentemente, dos Municípios que a integram.
“Isso significa que os tarifários que hoje as Câmaras pagam à empresa vão obrigatoriamente ter de ser revistos para cima” e, por essa razão, admitiu, “o Município de Sines vai ter de ponderar muito bem se é vantajoso entrar agora nesta fase”.
Atualmente, nos Municípios integrados no sistema, as Águas Públicas do Alentejo asseguram a componente “em alta”: no abastecimento, desde a captação até aos reservatórios e, no saneamento, o tratamento das águas residuais. As redes de distribuição e recolha “em baixa” continuam sob responsabilidade municipal.

