No regresso às aulas famílias sentem peso económico

Fátima Moita

O início do ano letivo no Litoral Alentejano arranca entre 11 e 16 de setembro, conforme o calendário definido pelo Ministério da Educação para o ano letivo 2026/2027. Nos Agrupamentos e Escolas de Santiago do Cacém, Santo André, Alvalade, Sines, Grândola, Alcácer do Sal e Odemira, a maioria das escolas inicia atividades letivas na segunda semana de setembro, com reuniões de acolhimento e integração a decorrer nos dias anteriores.

O regresso às aulas volta a ser, para muitas famílias, um dos momentos mais exigentes do ano no plano económico. Entre manuais escolares, material, mochilas, roupa, tecnologia e transportes, setembro transforma‑se num verdadeiro teste ao orçamento doméstico, sobretudo num contexto de preços elevados e de aumento generalizado do custo de vida.

As despesas começam logo nos manuais escolares, que continuam a representar uma fatia significativa do investimento anual, apesar dos apoios existentes. A isto somam‑se os cadernos, estojos, lápis, marcadores, calculadoras, cada vez mais caros e muitas vezes exigidos em quantidade. Para quem tem mais do que um filho em idade escolar, o impacto multiplica‑se. “O início das aulas é sempre um momento de entusiasmo para os miúdos, mas para nós é um aperto no orçamento. Só em material escolar já gastámos mais do que no ano passado”, afirma Cátia Alexandra, uma mãe de três alunos em Santo André.

Outro fator que pesa no orçamento é a renovação da roupa e do calçado, muitas vezes necessária devido ao crescimento das crianças ou ao desgaste natural do ano anterior. As famílias são também chamadas a investir em tecnologia, como computadores, tablets ou auscultadores, que se tornaram ferramentas essenciais no estudo e na comunicação com a escola. “Só em roupa e ténis para o início das aulas gastei quase o dobro do ano passado. As crianças crescem, e não há como evitar estas compras”, lamenta Maria João, mãe de uma aluna do 2.º ciclo.

A estes custos juntam‑se ainda as despesas de transporte, refeições e atividades extracurriculares, que completam um cenário onde cada euro conta. Apesar dos apoios existentes, os custos continuam a subir, obrigando muitas famílias a planear com antecedência e a fazer escolhas difíceis. Para muitas famílias, setembro exige planeamento, contenção e escolhas difíceis.

Apesar dos desafios, o regresso às aulas é também um momento de esperança, representa novas oportunidades, novos ciclos e o desejo de garantir às crianças e jovens o melhor percurso educativo possível. Mas a pressão económica é real e crescente, e continua a ser um dos temas centrais para quem vive este período com preocupação.