NÃO… O MUNDO NÃO PAROU

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA

 1 – Nem o poderia ter feito, tendo em conta os novos paradigmas políticos que algumas potências querem impor ao resto do mundo.

Mas, por cá, fruto de uma desnecessária segunda volta eleitoral para a Presidência da República, agravada pelas inclemências atmosféricas a que o País foi submetido nestas duas últimas semanas, não demos uma atenção por aí além às constantes evoluções que se desenrolaram no areópago da política internacional, a que a nossa agenda política interna, posta em execução, pretendeu como que tapar o sol com a peneira, como soe dizer-se, omitindo ou não dando o devido realce ás notícias vindas do estrangeiro que versavam basicamente uma hipotética intervenção dos Estados Unidos da América (EUA) em território Iraniano e o perpetuar das guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.

Passado que está a ser este nosso período interno mais conturbado, recomeça a surgir no horizonte mediático, o real cenário que nos envolve e ao qual não prestámos muita atenção nestes últimos tempos.

 

2 – Olhando pela nossa ‘janela de ver o mundo’, no Médio Oriente, assiste-se a uma tentativa consistente de anexação da faixa de Gaza por Israel, fazendo tábua rasa dos acordos e entendimentos conseguidos até agora. Aliás, na persecução de uma costumeira atuação política que está na base do moderno antissemitismo que campeia pelo mundo, Israel insiste numa linha que cada vez torna mais difícil a obtenção de acordos e apoios para garantir a sua sobrevivência como estado autónomo e independente a que os Judeus têm direito. Com a ordem internacional em acelerada mutação, talvez não fosse descabido aos dirigentes israelitas olharem para o exemplo da Europa, e ao que está a suceder ao relacionamento que vinham mantendo desde o período pós II Guerra Mundial, com os EUA, cuja degradação desse relacionamento está, até agora, a dificultar uma leitura e uma inserção estratégica internacional para o chamado Bloco Europeu.

Por outro lado, o ascendente económico que Israel tinha junto do seu aliado EUA, degradou-se com a apropriação de uma substancial parte da dívida externa americana por parte da China, o que esvaziou em certa medida a influência de Israel junto dos EUA.

 

3 – Na Europa, a guerra quase não anunciada, continuou de uma forma brutal com ataques às estruturas civis ucranianas produtoras de energia, o que tem devastado as condições de vida dos ucranianos que, em plena época invernosa, se vêm privados da vital fonte energética para a sua sobrevivência. Quando seria de esperar num acordo inicial que propiciasse um desenvolvimento posterior em direção a uma paz duradoura, assiste-se em contrário, a um agravar e a uma eternização do conflito.

Cada dia que passa, sem a obtenção de uma solução político-militar para este confronto, cresce nos países da CEE a dependência social em relação à população refugiada de guerra oriunda do Leste da Europa, que terá de ser um fator a considerar na celebração de futuros acordos de paz ou simples medidas de convivência pacífica entre os povos agora desavindos a Leste.

Se historicamente olharmos para o desenrolar deste conflito, ele poderá ficar como marco do início da desagregação da velha aliança, a NATO, que aliava os interesses políticos, económicos e militares da Europa e dos EUA e que, a cada dia que passa, parece ganhar força uma nova aliança politico militar europeia, sem a participação americana.

 

4 – Digamos que após o ato eleitoral finalizado, que ditou o óbvio face aos cenários políticos propostos, com a retoma de informação sobre os conflitos que nos dizem diretamente respeito, tanto quanto uma guerra no mundo nos possa afetar, há que continuar a reconstruir aquilo que a tempestade ‘Kristin’ destruiu por este Portugal adentro, reconstrução essa dificultada pelo nosso estatuto de País pobre de bens materiais e, principalmente, de cérebros, que até hoje não souberam fazer uma leitura real das alterações climáticas que o globo terrestre está a sofrer e que, cada vez mais nos irão afetar no nosso dia-a-dia.

A iliteracia, não será só analfabetismo, mas cada vez mais representa uma multiplicidade de disciplinas que convirá, a breve trecho, ser combatida com certas campanhas de alfabetização temática, chamemos-lhes assim.   JOSÉ MANUEL CLARO