Foi na escola que aprendi a escrever o meu nome, mas só muito depois entendi o que era deixar nele uma marca no mundo. Foi lá que descobri que o tempo tem cheiro de lancheiras e risos no recreio e que a infância passa sem pedir licença.
Aprendi a esperar pela campainha como quem espera pela liberdade, a contar os minutos para correr para o pátio como quem foge para dentro da própria alegria. Foram os primeiros amigos, as primeiras disputas, a primeira paixão. Aquele leve estremecer quando ela passava e dizia adeus e nesse instante o meu coração saltava-me do peito.
Foi na escola que conheci o medo de errar e a coragem de tentar outra vez. Que senti o peso de um caderno vazio e o alívio de uma resposta certa. Aprendi que o que nos marca não são apenas as lições, mas os olhares que nos acolhem, os sorrisos que nos levantam, os gestos simples que ficam para sempre.
Hoje sei que a escola era mais do que um lugar. Era um tempo em que tudo parecia possível. Talvez por isso, quando volto às memórias daquela sala de janelas largas, sinto que, de algum modo, ainda habita em mim um menino com lápis na mão e o coração cheio de sentimentos que ainda não sabia explicar, mas que já chamava, em silêncio, de poesia.
O sentido das palavras
Carlos Cabrita
2025


