JUNTA-SE O ÚTIL AO AGRADÁVEL

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

1 – E já agora, ao rentável, acrescentamos nós.

Com uma manifesta alteração da linha noticiosa, ditada pelas grandes centrais da comunicação, que pretendem a todo o transe desviar as atenções da guerra que se trava nos mesmo sítios e entre os mesmos beligerantes, atualmente essas mesmas centrais publicam notícias de acordos internacionais sobre a cedência mútua de metais raros, de ajuda económica com a retirada de sobrecargas alfandegárias, aplicadas ontem como retaliação ou birra política e que hoje são como que minoradas, fruto de uma melhor e mais realista análise dos pressupostos que, na altura da aplicação, não foram levados em conta.

Se analisarmos melhor aquela última reunião havida entre as grandes superpotências económicas ali para os lados do Pacífico, mais concretamente na Coreia do Sul, entre Donald Trump e Xi Jinping, não poderemos fugir muito a esse olhar interpretativo do que se passou no mundo há bem pouco tempo e o que se passa hoje em dia, recorrendo a um aforismo popular que refere: «entrada de leão, saída de sendeiro», aplicado ao Presidente dos Estados Unidos.

 

2 – A partir dessa reunião e dos acordos então celebrados, notou-se como que um aliviar noticioso sobre os conflitos armados que, infelizmente continuam a lavrar na Europa e Médio Oriente, só para referir os mais ativos, que poderão gerar erroneamente uma sensação de paz, paz essa que já nem com os acordos económicos celebrados, conseguem conhecer um apaziguamento benéfico para o mundo. Quase que em simultâneo, no vazio criado por essa diminuição informativa dessas grandes centrais, internamente, o tema das presidenciais em Portugal, como que agitou o ambiente e encheu dias e dias, e já agora noites, dos espaços dedicados à informação e seus derivados. Primeiro surgiram as eleições presidenciais no Benfica, transformadas num circo de recordes Guinness, à falta de melhor, dada a exiguidade das propostas dos concorrentes, ditadas pelas condicionantes consubstanciadas num outro aforismo: «o que não tem remédio, remediado está», e o futebol português entrou num beco de difícil saída e isso reflete-se diretamente nos clubes existentes e no seu ecletismo enquanto praticantes de outras modalidades.

3 – Concluído, ao que parece, o ato eleitoral benfiquista, ganha um peso mais consistente no nosso cenário informativo, as próximas Eleições Presidenciais no nosso País, sufrágio que à partida apresenta um cenário multifacetado de candidaturas talvez nunca visto por cá.

Existem candidaturas disto, daquilo e daqueloutro, por isto por aquilo e por aqueloutro, em que algumas delas são bastante parecidas com a pescada, que é um peixe que «antes de ser já o era», como soe dizer-se.

As candidaturas que têm proliferado como cogumelos a emergirem do solo num dia ensolarado e após uma boa chuvada, são oriundas de diferentes quadrantes políticos e algumas de geração local, para quem a declaração prévia de não ligação a qualquer linha partidária, será um ponto de honra para convencerem os apoiantes dessas ditas candidaturas.

Outras há, que estando alinhadas com partidos com assento parlamentar, iniciaram a sua campanha declarando apoio a outros candidatos já existentes, evidenciando uma total falta de cultura política, cultura essa que recomendaria uma desistência a favor de outrem, só lá mais para a frente e em plena campanha oficial.

 

4 – De uma forma geral, temos assistido a um folclore inócuo e até depreciativo, dos cânones da nobre política, em detrimento de um arraial popularucho, com uns quantos a meterem-se em bicos de pés, unicamente para afirmarem ao mundo que «estou aqui e não me pisem», falhos que são de conhecimentos do que é ser um Presidente da República, de uma vetusta Nação que, em tempos, se fartou de dar novos mundos ao mundo.

O pior de tudo isto, estará nas previsões da necessidade de uma segunda volta, dada a proliferação de votos inúteis numa primeira volta.

Mais um custo acrescido, a ser suportado pelo depauperado Orçamento Geral do Estado, igualmente ele, em bolandas por estes dias e em vésperas da esperada e tão necessária aprovação.    JOSÉ MANUEL CLARO