Já sentiu como algumas pessoas nos tocam e, de repente, tudo dentro de nós fica mais leve? Como se o coração respirasse melhor e o mundo, por instantes, se tornasse um lugar mais habitável? Há presenças que têm esse poder discreto de nos devolver à nossa própria paz.
Há gente que chega e, sem fazer barulho, arruma o caos que trazíamos por dentro. Pessoas que abraçam e curam, que falam e acendem pequenas luzes onde antes havia apenas sombra. Ao lado delas somos mais nós. Mais inteiros. Mais verdadeiros. Como se a vida, por um momento, respirasse com mais calma.
Mas também existem presenças que nos esvaziam devagar. Que nos fazem duvidar do nosso valor, que deixam um cansaço estranho, não do corpo, mas da alma. São encontros que pesam, palavras que ferem sem levantar a voz, silêncios que se tornam demasiado longos.
Não se trata de afastar o mundo nem de fechar portas à vida. Trata-se de proteger o que sentimos. De aprender a reconhecer quem nos acrescenta paz e quem, sem percebermos, nos rouba serenidade.
Somos feitos das conversas que escutamos, dos silêncios que partilhamos, dos afetos que escolhemos alimentar. E quando nos rodeamos de luz, começamos, quase sem dar conta, a brilhar também.
Aproxime-se de quem lhe devolve o sorriso. De quem o faz sentir casa. De quem segura a sua mão sem apertar a sua liberdade.
Porque a vida já é exigente demais para ser vivida ao lado de quem nos apaga. Escolha quem ilumina. Escolha quem aquece. Escolha quem lhe faz bem.
O Sentido das Palavras
Carlos Cabrita
2026


