MDM critica instabilidade no SNS e aumento de partos fora dos hospitais

Fátima Moita

Segundo nota de imprensa do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Núcleo de Santiago do Cacém, recebida na Redação, o Movimento manifesta forte preocupação com a instabilidade no Serviço Nacional de Saúde, sobretudo no acesso aos cuidados de saúde materna e infantil.

“Segundo os números oficiais do INEM, no ano passado 60 bebés nasceram em ambulâncias em Portugal – mais do dobro dos 28 que nasceram em 2024. Se forem somados os partos ocorridos em ambulâncias aos que aconteceram na rua, o número sobe para 83 bebés nascidos fora de unidades hospitalares.

O INEM assinala ainda 39 nascimentos sem registo, ou seja, partos nos quais os técnicos das ambulâncias não especificaram onde ocorreram, mas em que o bebé também nasceu fora de hospitais”, lê-se na nota.

O MDM considera que esta situação representa um retrocesso sem precedentes na assistência a mulheres e crianças, atribuindo-o ao encerramento cíclico de blocos de partos e à degradação dos cuidados de saúde primários, marcada por urgências obstétricas intermitentes que obrigam grávidas a percorrer longas distâncias.

A nota recorda ainda um caso recente em Quarteira, onde um parto ocorreu num parque de estacionamento, tendo os primeiros cuidados sido prestados por funcionários de uma empresa.

O Movimento afirma que o cenário atual resulta de um desinvestimento no SNS e defende soluções estruturais e duradouras, rejeitando medidas temporárias. Exige ainda a fixação de profissionais e a garantia de que o local de nascimento de uma criança não dependa da disponibilidade de escalas médicas.