ÁS FESTAS O QUE É DAS FESTAS

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

1 – Ao País o que é do País.

Com os festejos da quadra natalícia e entrada no novo ano, está encerrado mais um ciclo em que choveram tolerâncias de ponto que, parecendo que não, sempre foram alegrando os hoteleiros deste imenso pequeno Portugal, que viram assim como que equilibrada a sua balança de pagamentos e rendimentos. Lá ao fundo já se avizinha mais uma época de festejos, o Carnaval, que certamente contará com o beneplácito do nosso Governo em exercício, para conceder mais uma tolerância de ponto, a tal terça-feira que, em tempos, se revelou problemática para o governo da altura.

A bem ver, isto da separação das águas entre aquilo que poderíamos catalogar como benesses ‘pontométricas’ e obrigações sociais, nem sempre se consegue na perfeição. O País afunda-se a cada dia que passa, como corolário duma inércia administrativa e de gestão política praticada por sucessivos governos Que o diga, quem tem a necessidade de recorrer ao SNS, esperando horas infindas por um atendimento prioritário, quem tem de parir e que, como única solução, terá de recorrer às macas das ambulâncias dos bombeiros, independentemente da real valia dos profissionais de saúde que se esforçam ao máximo para evitar essas longas estadias dos doentes espalhados por tudo o que são alpendres e corredores das Unidades de Saúde. Mas, não se pense que o laxismo organizativo instalado, apenas é evidente nos SNS, atentemos no controlo de fronteiras de indivíduos oriundos de fora do espaço Schengen, o que levou a Comissão Europeia a pedir explicações a Portugal, pela segunda vez, num curto período de tempo, face ao aligeiramento desse controlo.

 

2 – Como se não bastasse todo este desleixo administrativo que se reflete na estrutura social em que cada individuo tem forçosamente de se movimentar, vamos realizar dentro de dias uma eleição Presidencial para escolhermos o Supremo Magistrado da Nação. Saltaram de novo à evidência, a falência completa dos mecanismos administrativos do Estado Português, que apresenta ao eleitorado, um boletim de voto que não corresponde às opções reais de escolha do cidadão votante. Bastaria esta súmula de quesitos impraticáveis e limitadores de uma sociedade que se quer evoluída, mas se atentarmos nas explicações dos responsáveis políticos pelas respetivas áreas, constata-se facilmente que as justificações dadas, para além de falaciosas, arrastam consigo uma séria carga de desfaçatez que, no mínimo, levaria a uma demissão imediata do governo em funções.

 

3 – As mensagens de Natal e Ano Novo que os líderes partidários dirigem habitualmente aos portugueses e aos militantes dos seus partidos, visando a mobilização dos ditos em torno do interesse nacional e perante um cenário cada vez mais degradado, lembrou-se o nosso Primeiro-Ministro de nos incentivar a praticar uma mentalidade «à Ronaldo», certamente aspirando a uns resultados em tudo idênticos aos conseguidos desportivamente pelo capitão da nossa Seleção Nacional de Futebol.

Fazendo analogia com o método motivacional empregue pelo senhor Primeiro-Ministro, e entrando pela gestão desportiva adentro, que nos seja permitido evocar aqui a figura da ‘chicotada psicológica’, por nos parecer a mais aconselhada a ser adotada pelo Povo Português, face aos péssimos desempenhos evidenciados pela equipa de políticos que nos coordena. Aliás, se alguns de nós imaginarem o Cristiano Ronaldo, desesperado por não dar a este País um fio de jogo que permitisse uma finalização consentânea com a sua real valia de profissional do pontapé na bola, sabem que certamente, não lhe restaria outra alternativa senão o chutar para fora.

 

4 – Subsequente a tudo isto, surge a imagem interna que estamos a dar para o exterior, enquanto vetusta Nação que tantos novos mundos deu ao mundo, e que agora como que se arrasta em enlameadas veredas, que não conduzem a objetivo algum e até brigam com os direitos das Nações que vão tendo a paciência de se sentarem connosco lá pelas mesas de Bruxelas. Se atentarmos no discurso de Ano Novo proferido pelo atual Pimeiro-Ministro aos militantes do seu Partido, nele é proferido que iremos estar três anos e meio sem eleições legislativas, o que francamente duvidamos, a manter-se este estado de coisas a que estamos diariamente a assistir e que, a cada dia que passa, nos cobre de ridículo perante os outros parceiros da CEE. Urge restaurar o orgulho português, nem que para isso tenhamos de recorrer a uma instabilidade política que nem sempre deverá ser olhada como perniciosa. Um bom 2026 para os nossos leitores.          JOSÉ MANUEL CLARO