Natal é Jesus

Estamos a poucos dias da celebração do Natal de Jesus. Ainda vamos a tempo de O acolher em nossas casas. O Natal é Cristo Jesus a nascer na e para a Igreja, para nós e em nós, para todos aqueles que abrem a sua porta e deixam que Ele possa entrar: «Eis que estou à porta e bato» (Apocalipse 3,20). Não vem pela chaminé, embora venha do Alto. Vem para estar e andar connosco e ensinar-nos o caminho para Deus. Apesar de todas as luzes que iluminam as nossas cidades, vilas e aldeias, apesar de todas as correrias, apesar de todas as ceias de Natal, apesar de todos os gestos de bondade e delicadeza, corremos o risco de chegar ao dia 25 de dezembro, dia de Natal, e não haver Natal.  Uma pintura de La Tour, “O recém-nascido”, de 1640, que se encontra no museu de Belas Artes de Rennes, França, retrata com uma força extraordinária o mistério do Deus-Menino, que encarna e assume a nossa natureza. A pintura, utilizando a técnica do chiaroscuro do renascimento, é atravessada pela luz de uma pequena vela nas mãos de Santa Ana. A luz resplandece igualmente do Recém-Nascido, ao colo da Virgem Mãe, do seu belo Rosto, que ilumina com a Sua glória toda a cena, mais ainda, envolve e ilumina o próprio observador. Ninguém pode ficar de fora desta Luz. É a representação de que a luz verdadeira do Natal é o próprio Jesus, que ilumina todo o homem (Jo 1,9). Para haver Natal é preciso deixar-se envolver pelo mistério do nascimento de Jesus que traz luz a este mundo envolvido pelas trevas. Soam aos meus ouvidos as palavras da Oratória “O Messias” de Händel (1741), que cita Isaías: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 2), porque, como anuncia o profeta Zacarias, referido pelo Libretto (1 Parte), nasceu o verdadeiro Rei e Salvador (9,9), Jesus, que o Anjo anuncia aos Pastores, e que o Coro da Oratória coroa com o seu poderoso, alegre e expressivo: Aleluia. Há Natal porque Jesus nasceu, mas só pode haver Natal para cada um de nós, se nos dirigirmos a Belém, entrarmos no lugar onde está o Menino-Deus e nos deixarmos iluminar por Ele. No quadro de George de La Tour, um pormenor salta à vista, o Menino enfaixado em panos, a significar o anúncio da sua Paixão. Assim, o artista une o mistério da Salvação e da Redenção, que todos somos chamamos a acolher e a viver. Um Santo Natal!

Luís Marques