Nem sempre é fácil esquecer. Há memórias que se entranham na pele como tatuagens invisíveis, colam-se aos dias, embrenham-se nos pensamentos, aparecem quando menos se espera.
Esquecer não é apagar de um sopro o que nos marcou. É, antes, um caminho. Um trabalho silencioso entre o coração e o tempo. Há dores que precisam ser sentidas até ao fim, sem pressa, sem atalhos. Histórias que regressam para que, um dia, deixem de doer.
Não te culpes por lembrar. Não é fraqueza, é humanidade. E há uma coragem mansa em aceitar que o esquecimento não é amnésia é leveza conquistada.
Porque, no fundo, o tempo não apaga tudo. Mas ensina a carregar de outra forma o que, um dia, quase nos afundou. O leme é teu, segura-o, mesmo quando a memória insiste em soprar contra o vento.


