QUEM ACREDITARIA?

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA

1 – O mundo político, de repente, quase parou numa falsa sensação de estagnação dos conflitos existentes que, apesar do esforço mediático por parte de algumas potências, não conseguiram fazer passar a ideia de que estavam a refletir sobre o caminho futuro a ser adotado na sua estratégia global, e continuaram, a seu belo prazer, a promover atividades destinadas à consolidação das vantagens amealhadas nos confrontos que vinham desenvolvendo em terra alheia.

Na nossa última crónica, chamávamos a atenção para o comportamento evidenciado pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, que tentando fazer passar a ideia de uma mudança na sua atitude belicista, de um momento para o outro desatou a falar como se de um apóstolo da paz se tratasse.

Contudo, o meio de influência em que se movimenta, não lhe permite uma inflexão na atitude até agora desejada pelo povo americano que, na prática, se traduz por um ‘andar a reboque de Israel’, no cenário da guerra do Médio Oriente.

 

2 – O que está em causa, no contexto geoestratégico, será uma saída airosa do cenário do conflito, sem que a generalidade do mundo se aperceba ou comente sobre a tão desnecessária intervenção que se tem arrastado artificialmente e que, no plano interno israelita, apenas serve para livrar o atual Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, da prisão, segundo decretou o tribunal que julgou os atos de corrupção praticados pelo político.

Será difícil de perceber como se pode matar tanta gente, sacrificar tantas famílias e comprometer tantas gerações de uma população, com o fim de protelar um acórdão judicial, em que é condenado o agora Primeiro-Ministro israelita.

 

3 – Após a visita à China, Donald Trump, quis reconstruir, junto da opinião pública internacional, a sua imagem, assumindo o papel de moderado mediador numa zona politicamente instável, instabilidade essa que ele ajudou a criar e tem caprichado em manter.

O fim, ou a saída de cena, será feita da forma como os EUA ultimamente nos habituaram, de mansinho como soe dizer-se, prática essa que pelo mundo fora tem aberto a porta ao radicalismo, bastando para isso que olhemos para o Afeganistão, para o Iraque e para a Síria, hoje berço de extremismos organizados que não se confinam unicamente aos limites geográficos desses Países, prosperando por este mundo fora, como cogumelos nascidos após uma chuvada.

Numa atitude irrefletida e para se justificar internacionalmente o governo dos EUA, chegou ao ponto de publicar uma conversa havida entre o Presidente Americano e o Primeiro-Ministro israelita, que, não surpreendendo ninguém pelo baixo vocabulário utilizado e abstraindo-nos desse pormenor, ficará registado para a história como o reconhecimento por parte de Donald Trump, que o antissemitismo que campeia pelo mundo se deve, em grande parte, ao comportamento dos políticos que governam Israel.

 

4 – Historicamente, essa será uma constatação de quem, por uma qualquer necessidade, se dedique a estudar a história do povo judeu, ao longo dos séculos, uma história de incompatibilidade com os outros povos com quem se cruzaram, e igualmente tais factos se registaram na história contemporânea, com o não cumprimento, por parte de Israel, dos acordos saídos da Conferência de Ialta, celebrados no pós-II Grande Guerra, que tiveram por protagonistas os chamados ‘Três Grandes’ — Franklin D. Roosevelt dos EUA, Winston Churchill pelo Reino Unido e Josef Estaline pela extinta União Soviética.

O antissemitismo a que assistimos por parte do grande número dos políticos que exercem o poder nos respetivos Países, filia-se, segundo referiu Donald Trump numa discussão que teve com o Primeiro-Ministro Israelita, à linha de conduta e prática assumidas pelo governante de Israel.

Será, talvez, chegada a hora da paz voltar ao Médio Oriente, que Benjamin Netanyahu, cumprir a pena a que foi condenado e que os radicais israelitas abandonem o poder que tem conduzido o País a um beco sem saída e com elevados prejuízos para todo o mundo.

Entretanto a China, prossegue a sua senda de crescimento a vários níveis, sendo o político, talvez, o que mais peso representa na nova ordem mundial.

JOSÉ MANUEL CLARO