Gostaria de aflorar dois assuntos neste editorial, um deles ‘cheira’ a novo, o outro, pode parecer repetitivo, mas penso que importa retomar o assunto, dado que estamos a assinalar o 25 de Abril, e também por aqui passam os sinais da democracia e a sua efetivação. No que ao primeiro assunto diz respeito, nos últimos meses dei-me conta, quando vou aos supermercados das redondezas, Santo André e Sines, pelo menos em alguns deles, do seguinte: aumentou o número de caixas de self-service e também o espaço de armazenagem dos congelados, peixe e carne. Alguns espaços que não tinham tais caixas, passaram a ter. As razões são várias e eventualmente legítimas, facilitar a vida ao cliente que tem menos compras e evitar filas desnecessárias, possível falta de colaboradores, o que pode ter muitas e complexas explicações, entre outras e há mesmo quem veja nisso uma vantagem, e terá algumas. No entanto, tal medida visa ainda ter menos custos e mais receitas. Fica a interpelação: não será isso alcançável também à custa de menos trabalhadores com tudo o que isso implica: vencimentos, subsídios, tsu, irs…?
Apresento outro exemplo: quem já não foi almoçar a um grande centro comercial e se deparou com grandes parangonas do estilo: “levante o seu tabuleiro e deixe a sua mesa limpa”, acabando com uma qualquer tirada de tipo psicológico, até podia ser: seja educado!. Levantar ou não levantar o tabuleiro, eis a questão! Argumentos contra e a favor são muitos, mas uma coisa é certa, o espaço comercial agradece o seu civismo, mas mais ainda o seu trabalho voluntário e não remunerado. Ambas as situações devem levar-nos a pensar. Hoje existem novas formas de trabalho que precisam de ser reguladas e os trabalhadores defendidos, equilibrando a balança entre os que criam e geram emprego e aqueles que o realizam e fazem avançar.
O segundo assunto, e espero não aborrecer, consiste num novo alerta sobre as estradas. Refiro apenas o exemplo daquela que vai da Cascalheira a Melides, dado que não tenho nos últimos tempos utilizado muito as outras vias. Embora tenham sido feitos melhoramentos nesta via, provisórios, como se disse, como seria de esperar e fácil de vaticinar, nos locais onde foram feitos apenas “remendos”, o piso começa já a apresentar perigosos sinais de deterioração. Algumas medidas imediatas foram tomadas, mas continuam a faltar as medidas de fundo e de longa duração.


