UM PEQUENO PASSO…

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

 1 – As três palavras que titulam a nossa crónica de hoje, trazem-nos de imediato à memória a frase de Neil Armstrong, proferida a 20 de julho de 1969, ano em que se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua, como corolário da viagem feita a bordo da nave Apollo 11, na companhia de mais dois outros astronautas, Buzz Aldrin e Michael Collins: «Um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade».

Esta página da exploração espacial, ficará para sempre nos anais da história, como um marco indelével da história humana, toda ela pontilhada por referências balizadoras da passagem do homem por este mundo, e onde não faltam referências à nossa história enquanto Nação que demos «novos mundos ao mundo».

Mais de meio século depois, três homens, desta vez políticos, líderes de outras tantas outras Nações, resolvem reunir-se em cimeira e alterar significativamente o alinhamento geoestratégico do mundo, até aqui dividido em três blocos, o Americano, o Chinês e o Soviético, e que de repente se viu alterado para dois únicos blocos, com a passagem da Rússia à condição de mera força de infantaria do bloco encimado pela República Popular da China.

 

2 – Já em anteriores crónicas havíamos referido a hegemonia demonstrada pelo bloco Chinês que, sem recorrer ao confronto bélico direto com as outras superpotências e como que usando exclusivamente a arma económica, conseguiu alcandorar-se a uma posição hegemónica sobre os blocos adversários.

No início de setembro, com a realização de uma cimeira em Pequim para a qual foram convidados Putin, líder russo, e Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte, a China proclamou ao mundo o nascimento de um bloco que na prática já existia mas que carecia daquela cimeira agora realizada, para a oficialização perante a humanidade, de um novo alinhamento geoestratégico que veio transformar um mundo tripartido, num mundo dividido em apenas duas partes de influência, mas em que uma delas fica com a parte de leão, precisamente o bloco sino-soviético.

 

3 – Compreende-se melhor, agora, a posição do ministro chinês, expressa em agosto passado, numa reunião com líderes da União Europeia, quando referiu que a China nunca poderia deixar a Rússia perder a guerra que trava com a Ucrânia.

Por outro lado, a China, aproveitou aquela cimeira em Pequim para mostrar como que oficialmente ao mundo, o estado atual da força militar chinesa, a que igualmente nos temos referido noutras crónicas e que já vai dominando o Pacífico, zona do globo onde se decidirá definitivamente o controlo político-económico e geoestratégico do mundo.

Perante este cenário, e as suas evoluções subsequentes, estamos em vésperas da assunção de uma nova ordem mundial que, no seu evoluir, trouxe à tona, a fragilidade política e intelectual dos líderes europeus que, perante as evidências, continuam a preferir esconder as suas cabeças na areia, quais avestruzes, a assumirem com frontalidade de novas posições políticas que possam minorar os efeitos diretos deste novo reordenamento geoestratégico.

 

4 – Por cá, no País onde nada se passa, caminhamos alegremente para mais uma campanha eleitoral para as Autarquias, onde o desinteresse pelas propostas dos políticos e as práticas discursivas seguidas pelos partidos localmente no poder, tornam uma qualquer opção que façamos nas urnas, um ato público de bacoquismo político.

Não fará muito sentido que se guardem as inaugurações, as reinaugurações e demais ações políticas, apenas para as vésperas do ato eleitoral, quando se passaram três anos num quase completo marasmo e estagnação político-social.

Aliás, a atual atividade autárquica, como que nos faz recuar ao final da primeira metade do século passado, em que com a aproximação da data de um qualquer ato eleitoral, havia como que um engarrafamento de inaugurações de lavadores públicos e urinóis, estes colocados junto a jardins igualmente públicos e que lá iam aliviando os circunstanciais passeantes naqueles espaços, mas atenção… só do sexo masculino! Cá vamos andando cantando e rindo…