LET’S MAKE AMERICA GREAT AGAIN

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

 1 – O mundo anda atónito, com a catadupa de factos, com que é diariamente bombardeado, resultado prático emergente da eleição do novo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) que, recorrendo às mais modernas técnicas de marketing, tenta criar a sensação, perceção, para utilizar um termo muito em voga, na nossa classe política, de quem é quem no mundo em que vivemos.

À semelhança do que fez há uns anos, quando foi eleito pela primeira vez, ameaçou os Organismos Internacionais com a saída dos EUA das suas estruturas, em áreas sensíveis como a saúde, a cooperação social e até as alianças militares, se encontram debaixo de fogo no que concerne à participação americana.

Começou mal o Sr. Trump, ao amnistiar os participantes da tentativa de assalto ao Capitólio, quando, nas urnas, perdeu as eleições para Joe Biden.

Continuou mal, ao deportar massivamente imigrantes para os Países da América Latina de uma forma humilhante, e prepara-se para intervir mais incisivamente, no genocídio que está a ser perpetrado na Faixa de Gaza.

 

2 – Este comportamento evidenciado pela Administração Americana, faz-nos lembrar o ‘bullying’ praticado nas escolas, em que geralmente os mais fortes, vexam os mais fracos, muitas das vezes sem resultados práticos diretos alcançados, para além daquela esfera muito próxima dos intervenientes, vítimas dessas ações, que poderão ficar marcados emocionalmente para o futuro, e extravasando essas consequências para a política, talvez se compreenda melhor os comportamentos das sociedades por onde os EUA andaram a provocar esses desmandos e a posição que essas regiões do globo, hoje alimentam em relação a esses mesmo EUA.

Se atentarmos bem no mundo que nos rodeia e nas torrentes informativas que nos chegam a cada momento, propaladas pelos Órgãos de Comunicação Social, somos como que levados a pensar que as reações dos diferentes blocos de influência política, estão na espectativa de verem no que é que tudo isto vai dar, se bem que a prática quotidiana dos EUA, não sendo nova, já vai apontando numa direção anteriormente vista.

 

3 – Aliás, se atentarmos na campanha eleitoral do novo Presidente dos EUA, ela assentou em prossupostos e slogans já antigos e usados por anteriores Presidentes Republicanos nas suas campanhas, sendo que o mais célebre e com que, invariavelmente, terminava todos os discursos da sua recente campanha, «let’s make america great again», já havia sido utilizado pelo Presidente Ronald Reagan nos anos 80 do século passado.

Depois, o chorrilho de legislação publicada nas primeiras horas, se bem analisado, terá umas quantas ilegalidades jurídicas que os próprios Tribunais Americanos já se aprestam para averiguar.

Uma das posturas publicadas pelo atual Presidente, prende-se com o facto de que uma criança, filha de imigrantes, ao nascer hoje nos EUA, não adquire automaticamente a nacionalidade americana.

Se quando o atual Presidente nasceu, já existisse essa postura, quão diferente seria a nossa realidade atual, uma vez que o Presidente Trump, é precisamente filho de imigrantes, pai de origem alemã e mãe escocesa.

 

4 – Dois dos blocos dominantes do mundo, a China e a Rússia, estão expectantes por motivos bem diversos um do outro.

Enquanto a Rússia espera ter Trump como aliado na resolução do conflito que mantém com a Ucrânia e, na espectativa de uma divisão dos recursos naturais do solo Ucraniano, os russos pretendem muito mais, uma vez que tentam ganhar uma posição estratégica mais robusta, no controlo dos mares.

Impávido e sereno, parece estar o bloco Chinês, nada interessado em conflitos bélicos, dominando o mundo pela prática económica, sendo atualmente detentora de fortes parcelas de influência na economia americana, russa e da velha Europa que, no meio de toda esta algazarra política, desta efervescência ideológica, finge que não é nada com ela e, assobia para o lado, ao ver-se relegada para um qualquer plano longínquo de intervenção direta como lhe compete. Até quando?