AS FÉRIAS DA GUERRA

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA

1 – Ninguém as gozou, lá para os lados mais conturbados deste mundo, a fazer fé nos despachos noticiosos que, apesar de estarmos a atravessar o período clássico do gozo das mesmas. O comum cidadão mal ligava a televisão, o recetor de rádio, ou acedia à internet através do seu telemóvel, enquanto distendia o seu corpo sobre dourados areais, era como que bombardeado pelas últimas imagens dos ataques efetuados por alguma das partes em confronto. Os estadistas de algumas potências diretamente envolvidas, multiplicaram-se naquilo a que chamam de contactos bilaterais, assumindo o papel de principais atores de um teatro de tragédia, tal é o desumanismo como é praticado. O principal fator das conversações prende-se com a logística destinada a enfrentar o próximo Inverno e não tanto na discussão de medidas concretas para resolver os conflitos.

2 – Enquanto isso, a Rússia continua na representação do papel de peão de brega do regime chinês, na frente europeia, reforçando a sua frente no conflito com a Ucrânia, com soldados norte coreanos e incentivando umas quantas manobras de diversão feitas em solo de países da NATO, através de drones, que se estão a transformar na nova e mais eficiente arma de guerra, que se podem transportar numa mala de viagem, não requerendo grande logística para serem lançados contra um qualquer alvo e com qualquer finalidade. Entretanto, paulatinamente, Xi Jinping, líder chinês, continua numa azáfama, visitando e consolidando as relações externas com possíveis novos aliados, através do estabelecimento de canais de abastecimento de bens essenciais, canais esses, que têm vindo a ser destruídos pelas forças armadas americanas, perante o recolhimento forçado do Presidente Donald Trump que, desde aquele episódio acontecido aquando da cimeira da NATO na Turquia, nem quer ouvir falar em saídas de casa. 

3 – Antes da época de férias, os analistas internacionais deram conta de uma certa exaustão das reservas balísticas das forças americanas, o que tem vindo a ser confirmado pelas práticas adotadas por essas forças, que recorrem a unidades navais fundeadas nas proximidades das zonas onde os conflitos se desenrolam, para realizarem uns quantos ataques que vão funcionado como prova de vida dessas mesmas forças e dos interesses americanos na região. Evidentemente que todas essas missões militares têm um custo demasiado elevado para o erário americano que a fazer fé nos últimos balanços, já conheceu melhores dias, tendo surgido da parte dos analistas económicos a referência à dívida externa americana que atingiu recentemente níveis difíceis de serem englobados na economia internacional o que já levou alguns desses analistas a considerarem que a dívida externa americana não é um problema unicamente dos EUA mas, bem pelo contrário, já se transformou num problema para o mundo.

4 – O Presidente Ronald Trump, com a sua falta de polimento político, está a hipotecar o futuro da Nação Americana, que ele pretendia fazer «great again», mas que o seu quotidiano tem desmentido e, pior que isso, tem destapado as insuficiências materiais de uma até agora superpotência militar que tem visto ultimamente os seus paióis serem esvaziados de uma forma pragmaticamente constante, através de intervenções a destempo no contexto internacional.

Qualquer uma ou outra ação de guerrilha contra o Irão, perpetrada a partir de alguns porta-aviões estacionados na zona de guerra, fica de imediato exposta às inevitáveis retaliações que esse mesmo Irão exerce sobre as bases americanas, sediadas nos Países que circundam aquela República Islâmica.

 5 – Com um final previsível, a intervenção americana contra o Irão, irá terminar saldando-se pela inevitável derrota militar americana, cuja economia apresenta sinais de uma anemia preocupante, começando-se agora a perceber qual as verdadeiras motivações das alcavalas aduaneiros aplicadas a torto e a direito aos Países com quem os EUA ainda vão mantendo relações comerciais e cujo resultado conhecido até hoje, é um forte estrangulamento na produção industrial americana e o surgimento de novos contratos de comércio externo celebrados entre os Países atingidos pelas tributações decretadas por Donald Trump, com potências emergentes, no cenário político internacional e sob a batuta da China.       JOSÉ MANUEL CLARO