CHIU!…

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA

1 – Ao fim de três dias de visita de Estado à China, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), voltou ao seu País, da mesma forma como havia saído, só que foi notório que na bagagem trazia um generoso conselho do Presidente chinês, Xi Jinping: «chiu!…».

Destas cimeiras políticas, geralmente pouco transpira para o exterior e quando o País anfitrião é a China, em termos jornalísticos, é bastante difícil arrancar qualquer ‘caixa’ aos intervenientes.

A primeira questão, que se porá ao comum cidadão, será o de saber-se o que terá levado o Presidente dos EUA, a viajar até Pequim para se encontrar com o homólogo chinês.

Talvez seja a questão de mais fácil dedução, olhando para a composição da comitiva presidencial americana.

Não andaremos longe da verdade, se escrevermos que Trump foi em busca duma normalização das relações comerciais com o gigante asiático, muito maltratadas pelas irrefletidas e avulsas medidas tomadas pela administração americana, com a aplicação de tarifas alfandegárias às importações vindas da China, sustento básico de toda a indústria americana e como corolário disso, os enormes prejuízos registados pelos gigantes da indústria americana.

2 – Numa cimeira desta dimensão, a abordagem dos temas relacionados com os cenários de guerra que se desenrolam na Europa e no Médio Oriente, foram certamente questões que estiveram sobre a mesa e foram abordados, aquando dos encontros dos dois líderes.

Se quanto à guerra na Ucrânia, a posição chinesa já é conhecida deste o final do ano passado em que o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês comunicou aos seus homólogos europeus que a Rússia nunca poderia perder a guerra que trava em solo ucraniano, já quanto ao bloqueio do Estreito de Ormuz, via fundamental de abastecimento chinês, não andaremos longe da verdade se dissermos que Xi Jinping, aconselhou Donald Trump a sair da zona quanto antes sem fazer ‘muitas ondas’, uma das especialidades comunicativas em que se notabilizou o Presidente americano.

3 – Será difícil a uma personagem com o mediatismo de Donald Trump e a sua forma de estar no mundo, adotar um comportamento discreto que por vezes a situação política internacional recomenda, mas até ver e se compararmos o comportamento atual do habitante principal da Casa Branca com o seu passado recente, quase que se poderá dizer que é radicalmente oposto ao que era hábito observarmos antes da visita agora realizada.

Para a análise política atual, igualmente não poderemos ignorar a recente visita a Pequim, efetuada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, numa data posterior à partida de Donald Trump do solo chinês, visitas essas que alcandoraram a República Popular da China a fiel da balança em que se move o mundo político, económico e militar.

Por outro lado, esta segunda visita veio como que oficializar o bloco sino-soviético como a primeira potência no seio da administração mundial de interesses geoestratégicos, políticos e económicos.

4 – Até quando é que esta recente e relativa acalmia de vozes e disparos na cena internacional se irá manter, será a tal resposta para ‘um milhão’, num qualquer concurso televisivo.

Contudo, fazendo como que uma súmula dos últimos tempos políticos vividos no areópago político internacional, veio-nos à memória a XVII Cimeira Ibero-Americana, realizada em novembro de 2007, em Santiago do Chile, em que perante a irrequietude e intervenções constantes a despropósito, por parte do então Presidente da Venezuela Hugo Chávez, interrompendo o então 1º Ministro Espanhol José Luís Rodríguez Zapatero, o Rei de Espanha, Juan Carlos I, proferiu a lapidar frase: «Porquê não tê cálas?».

Terá sido essa, a chamada da atenção do Presidente Xi Jinping a Ronald Trump?

Certamente que a resposta ficará para os arquivos da história, mas que a fanfarronice patenteada pelo Presidente americano, como que se reduziu drasticamente, esse é um facto indesmentível para qualquer analista político. Representará essa modificação de procedimentos uma submissão do Chefe da Casa Branca, ao novo líder mundial chinês? Outra resposta que a história se encarregará de nos evidenciar. De qualquer forma, que a paz no mundo prevaleça, para bem dos povos.

JOSÉ MANUEL CLARO