Trotinetes Sensibilizar e Formar

 Não é raro o dia em que não vejamos uma dessas trotinetes a passar em alta velocidade por nós, seja no passeio, seja na ciclovia, seja na estrada. É certo que tais formas de mobilidade são úteis, necessárias e amigas do ambiente. Se reconhecemos estes aspetos positivos, existem outros para os quais importa sensibilizar e formar. Um destes dias estava a dirigir-me de carro do Bairro da Atalaia para o Jornal ‘O Leme’, quando dei conta que uma jovem seguia numa velocidade considerável, pela ciclovia que vem do dito bairro, e pode seguir, como possíveis hipóteses, quer para os lados da Escola Básica nº1, que é precedida de uma rotunda, quer para a Avenida de Santiago. Calculando e antecipando o que a jovem poderia fazer redobrei a atenção. A jovem atravessou duas passadeiras na mesma velocidade, sem olhar para qualquer lado e sem sinalizar mudança de direção. Não tinha nenhuma proteção (capacete, etc) capaz de a preservar minimamente de qualquer queda. Não é certamente caso único, pois também já me deparei com jovens, e até adultos, que circulam em trotinetes sem qualquer proteção, com total desconhecimento das regras de trânsito e ainda sem qualquer identificação, sobretudo de noite (colete refletor e luz de presença). Quantas vezes com mais de um passageiro, por vezes até crianças. Já vi utilizadores a conduzir em contramão, que não respeitam os sinais de trânsito, a ordem das rotundas, cedências de passagem com sinalização ou a simples ‘regra da direita’.  Importa, por isso, sensibilizar todos, para esta realidade. Apoiamos a mobilidade que protege o ambiente, mas é necessário que haja ações de sensibilização para quem anda na estrada. É necessário que haja formação geral e específica para quem utiliza este meio de transporte, seja sobre condução ativa e passiva, seja formação sobre regras e sinais de trânsito e, quem sabe, licença para a utilização destes veículos, dado que não se trata mais de andar apenas no parque, mas na via pública. Pode começar-se com uma nova campanha de sensibilização nas escolas com a cooperação das autoridades civis e policiais, e quem sabe, no futuro, até com a colaboração das escolas de condução. Também estamos disponíveis, seja o Jornal ‘O Leme’, seja a Paróquia, para colaborar nesta ação. Todos beneficiaríamos e a consciência e responsabilidade ecológica também se tornariam consciência e responsabilidade cívica e mesmo legal. É preciso proteger quer os utilizadores das trotinetes, na sua maioria jovens, quer os utilizadores de outros veículos ou quem anda simplesmente a pé. Utilizemos meios ecológicos, mas em segurança.