O Silêncio que Nos Espera

A única pessoa que respira contigo desde o primeiro choro até ao último silêncio és tu. Desde o início, mesmo antes de compreenderes o mundo, já estavas aí, inteiro, presente, habitando um espaço que ninguém mais poderia ocupar.

Ao longo da vida, há quem te ame, quem te abrace, quem caminhe ao teu lado durante longos trechos. Há mãos que se entrelaçam com as tuas, vozes que te chamam pelo nome, presenças que aquecem os dias. E isso é tão bonito quanto raro.

Mas, ainda assim, existe um lugar onde ninguém entra. Um território íntimo, silencioso, onde só tu existes. Um espaço fundo onde não há máscaras, nem papéis, nem expectativas, apenas o que és, sem defesa. É aí que a vida acontece na sua forma mais verdadeira.

Passamos tanto tempo voltados para fora, à procura de respostas, de reconhecimento, de sentido nos outros, que nos esquecemos de regressar a esse lugar. Esquecemo-nos de nos escutar, de nos acolher, de permanecer connosco sem fugir.

No último instante, quando o mundo começa a afastar-se devagar e tudo o que foste se recolhe dentro de ti, não há mãos para segurar, não há vozes para chamar. Há apenas tu… e o eco da tua própria alma. Um silêncio que não assusta, revela.

E é nesse momento que tudo ganha outra dimensão. O que fizeste, o que sentiste, o que foste capaz de amar. Nada mais importa do que aquilo que verdadeiramente viveste por dentro.

Por isso, não te abandones. Fica contigo nos dias difíceis. Fala contigo com ternura. Perdoa-te quando falhares. Abraça-te quando o mundo não souber como fazê-lo.

Porque, no fim, não serás apenas quem viveu a tua vida… serás quem teve coragem de permanecer fiel a si mesmo, de não se perder, mesmo quando tudo à tua volta parecia incerto.

 

O Sentido das Palavras

Carlos Cabrita

2026