Helga Nobre
O modelo do Festival Músicas do Mundo (FMM) em Sines vai manter-se “em tudo semelhante” ao dos anos anteriores, mas com uma redução significativa de custos, garantiu o Presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha.
Questionado sobre a edição deste ano, após a eleição do novo executivo, de maioria comunista, o Autarca disse que o objetivo passa por cortar, no mínimo, 350 mil euros ao orçamento do festival, estimado em 2,1 milhões de euros.
A orientação do Executivo é realizar o festival “dentro do mesmo modelo, mas com menos dinheiro”, afiançou o Autarca, admitindo que a redução prevista já representa “bastante dinheiro, sobretudo num contexto de inflação”.
Em termos de programação, Álvaro Beijinha revelou que haverá uma redução do número de concertos, sem descurar a qualidade do festival.
“Queremos claramente apostar na qualidade, que é o ADN do festival, e isso está garantido”, afirmou.
Uma das áreas em análise é o campismo associado ao FMM, reconheceu o eleito, acrescentando que a Autarquia já reuniu com a GNR com o propósito de “estancar ao máximo o campismo ilegal”.
E avançou que, à partida, será definida apenas uma zona de campismo, junto ao Pavilhão Multiusos, à semelhança do ano passado.
O Município prevê ainda reforçar o sombreamento e permitir a utilização das casas de banho e balneários do pavilhão pelos campistas, evitando o aluguer de infraestruturas externas como forma de poupança, reforçando, por outro lado, a segurança para prevenir atos de vandalismo no equipamento municipal.
Também os concertos na praia poderão “não se prolongar até tão tarde como em edições anteriores”, sublinhou.
Tasquinhas vão ter novo formato
Quanto às Tasquinhas, o Presidente da Câmara confirmou que o Município está a trabalhar para que o evento se realize este ano, mas com alterações significativas no formato.
Desde logo, a duração deverá passar de três para duas semanas, abrangendo três fins de semana e coincidindo com os dias do FMM.
Apesar de admitir que, no futuro, as Tasquinhas possam decorrer depois do festival, o Autarca explicou que, este ano, o modelo ainda irá manter ligação temporal ao festival.
“Compreendo o argumento de que as Tasquinhas podem ser importantes para dar resposta aos festivaleiros, mas temos de ver que tipo de modelo queremos: se queremos um festival gastronómico ou uma resposta gastronómica para o festival”, defendeu.
No seu entender, as Tasquinhas devem regressar à sua essência enquanto festival gastronómico, com maior valorização dos produtos locais e da gastronomia do Concelho.
Outra das alterações que o Município pretende introduzir diz respeito aos valores pagos pelos participantes, estando a ser equacionada uma redução significativa dos montantes, em especial para Movimento Associativo, que o Autarca quer ver regressar ao evento.
Segundo o Presidente da Câmara, no ano passado terão existido situações de sub aluguer de espaços por Associações a privados, prática que o Executivo “vai tentar eliminar”.
Por outro lado, o número de tasquinhas deverá manter-se, mas sem a grande tenda, estando a Autarquia a trabalhar numa solução com “chapéus de sol de grandes dimensões”, mantendo o evento no mesmo local, na Avenida Vasco da Gama.
“Outra questão que também era muito contestada e que tinha a ver com a exclusividade da marca das bebidas, também não vamos fazer isso, ou seja, cada tasquinha levará a sua marca e a sua cerveja”, afiançou.
Também a animação musical deverá sofrer alterações, com o Autarca a abandonar “os grandes palcos e artistas de maior dimensão, dando primazia a apontamentos musicais, como jazz ou música ambiente”.
Está também prevista a realização de “showcookings com chefs locais”, reforçando a “componente gastronómica do evento”.
Em termos financeiros, o Autarca revelou que as Tasquinhas custaram cerca de 700 mil euros no ano passado, enquanto este ano o objetivo é realizar o evento por cerca de 250 mil euros.


