Helga Nobre
A rede de abastecimento e saneamento de água em Sines enfrenta problemas estruturais que estão a preocupar responsáveis políticos, com alertas para a necessidade urgente de investimento para evitar falhas no fornecimento.
Entre as principais falhas identificadas estão o mau funcionamento de várias estações elevatórias, perdas significativas de água e a existência de condutas em fibrocimento.
A situação ganhou maior visibilidade após uma rotura numa conduta, ocorrida há algumas semanas, que deixou a cidade sem abastecimento durante várias horas.
O Presidente da Câmara, Álvaro Beijinha, confirmou a gravidade do problema, reconhecendo que há ainda muito trabalho por fazer na rede de água.
“Temos uma conduta principal e não temos redundância e, por isso, temos ali um problema, para podermos intervir, em caso de avaria. Temos o problema das estações elevatórias que estão praticamente todas obsoletas, com problemas vários e a exigir intervenção a todos os níveis”, afirmou.
Também nas redes de água, acrescentou, “não foi feita remodelação ao longo dos anos (…) e por isso, há uma enormidade de obras a fazer nessa área que custam muito, muito dinheiro”.
“Não se resolverá num mandato, e se calhar nem em dois mandatos”, afirmou.
No entanto, o eleito garantiu que a Autarquia já “está a trabalhar para deixar dotações orçamentais que permitam, no próximo ano, realizar intervenções com alguma profundidade”.
Garantiu ainda que “por opção política” o atual executivo alocou “mais verba para a água e o saneamento, aproveitando as oportunidades de reprogramação do financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência”.
Por seu lado, o Vereador da coligação PSD/CDS-PP, Miguel Vaz, mostrou satisfação com o anunciado aumento do investimento, depois de ter alertado para as perdas de água e para a existência de condutas em fibrocimento.
“Fico satisfeito que a Câmara esteja a olhar para este problema e que tenha intenção de o resolver”, sublinhou.
Já durante a campanha eleitoral, o Autarca alertou para as “perdas de água e para a eventual existência de partículas de amianto na rede de condutas de fibrocimento”.
“Também acho que é importante não estarmos sempre a dizer que o problema é do que está para trás, mas planear o nosso futuro”, considerou.
Já a Vereadora do PS, Filipa Faria, reconheceu que a situação resulta de um desinvestimento com mais de 20 anos nas infraestruturas de abastecimento e saneamento.
“É uma situação que se arrasta há mais de 20 anos que houve um desinvestimento nas estruturas de abastecimento de água e saneamento”, reconheceu.
Mas, lembrou que, em 2013, quando o PS ganhou as eleições, “a situação financeira da Câmara não era favorável, com mais de 26 milhões de euros de dívida”.
“Tivemos de fazer uma boa gestão, priorizando setores que entendemos serem os necessários e priorizamos também o saneamento e as águas, mas não chegou a todo o lado”, assegurou.
Por isso, “compete agora a este Executivo que está no poder, com o voto do povo, pegar naquilo que foi o trabalho do Executivo PS e continuar a fazer esse investimento”, defendeu.


