Filipe Raposo/Fátima Moita
Nesta entrevista, elaborada pela Rádio Sines, em colaboração com o Jornal “O Leme, Leovegildo Dalcio Cassanguidi, com o nome artístico D.C., revela-nos que é um jovem sonhador que transformou vivências, culturas e emoções em música, encontrando no rap a sua voz mais verdadeira, alguém que experimenta, arrisca e transforma cada lançamento numa nova etapa do seu crescimento musical. Entre desafios de independência, influências que moldam o seu som e a vontade constante de evoluir.
Leme: Quem é o DC por trás do microfone?
DC: Um jovem sonhador, determinado e apaixonado pela música. Alguém que viveu várias realidades, cresceu entre culturas diferentes e encontrou no rap uma forma de expressão verdadeira.
L: Como é que a tua caminhada na música começou?
DC: Começou de forma simples: a ouvir rap com amigos, a escrever versos no caderno e a transformar sentimentos em letras. Com o tempo percebi que isto já não era apenas um hobby, era mesmo um caminho.
L: Quais foram as maiores influências no teu estilo e na tua identidade musical?
DC: Os meus pilares são NGA, Wiz Khalifa e Travis Scott. Cada um marcou uma fase da minha vida e trouxe algo ao meu estilo — desde a profundidade das letras até à vibe mais melódica e atmosférica.
L: Sendo natural de Angola e vivendo em Portugal, como é que essas raízes influenciam a tua arte?
DC: Influenciam tudo — o ritmo, a ginga, a forma de contar histórias. Eu sou mistura, e a minha música reflete essa fusão cultural.
L: Como descreves a evolução da tua sonoridade desde os teus primeiros lançamentos até agora?
DC: Hoje estou mais maduro, mais atento aos detalhes. Deixei de ter medo de experimentar e encontrei um equilíbrio entre sentimento, técnica e autenticidade.
L: O que te inspirou a lançar o single “Monalisa” e que impacto teve na tua carreira?
DC: “Monalisa” nasceu de uma vibe de inspiração e de uma fase em que queria mostrar um lado mais melódico e emocional. Abriu portas, trouxe mais ouvintes e deu-me confiança para continuar.
L: Lançaste também um EP — que mensagem quiseste transmitir com esse projeto?
DC Quis mostrar diferentes lados meus: o romântico, o introspectivo, o ambicioso. O EP é como uma fotografia do meu estado artístico naquele momento.
L: Já lançaste mais singles. Qual é aquele que mais te marcou e porquê?
DC: Provavelmente o single mais recente [Secretária], porque cada lançamento representa uma nova conquista e uma nova etapa da minha evolução.
L: Tens uma colaboração com o PRASO (Alcool Club) em “Notas Soltas”. Como nasceu essa parceria?
DC: Nasceu de respeito mútuo. Sempre admirei o trabalho dele, e quando surgiu a oportunidade, a química foi natural. A música fluiu sem esforço.
L: Como é o teu processo criativo? Vem primeiro a letra, o beat ou a emoção?
DC: Vem a emoção. O beat ajuda a canalizar, mas tudo começa no sentimento. Quando a vibe bate certo, as palavras aparecem.
L: Trabalhas em Portugal e tens nacionalidade Angolana. Como conjugas a tua vida profissional com a música?
DC: É difícil, mas possível. Exige disciplina, noites curtas e muita paixão. A música é aquilo que me recarrega.
L: Quais são os maiores desafios de ser um artista independente hoje em dia?
DC: Gerir tudo sozinho — promoção, produção, investimento. É preciso ser artista, gestor e empreendedor ao mesmo tempo.
L: Que temas gostas mais de abordar nas tuas letras?
DC: Vida real, superação, amor, perda e a luta diária. Gosto de falar sobre aquilo que as pessoas sentem mas muitas vezes não conseguem expressar.
L: De NGA a Travis Scott, tens referências fortes. Como é que elas moldam o teu som?
DC: Inspiram-me a ser autêntico. NGA pela verdade nas letras, Wiz pela vibe, Travis pela criatividade. Tento aprender com cada um sem perder a minha identidade.
L: O que mais te motiva a continuar a fazer música?
DC: O feedback das pessoas, a sensação de criar algo que fica, e o sonho de levar a minha arte cada vez mais longe.
L: O que o público pode esperar dos teus próximos lançamentos?
DC: Mais maturidade, mais energia e mais verdade. Quero elevar o meu nível e surpreender quem me acompanha.
L: Tens planos de lançar um álbum no futuro?
DC: Sim, é um objetivo. Mas quero que seja no momento certo, quando sentir que tenho uma história completa para contar.
L: Como vês o panorama atual do rap lusófono? Onde te encaixas nele?
DC: Vejo um cenário forte, variado e cada vez mais respeitado. Eu encaixo-me como uma nova voz que quer trazer autenticidade e evolução.
L: O que é que o nome DC representa para ti como artista?
DC: Representa a minha essência: determinação, coragem e a vontade de deixar marca.
L: Que mensagem queres deixar aos teus fãs e aos leitores do jornal O Leme?
DC: Obrigado por acreditarem, por ouvirem e por caminharem comigo. Isto é só o começo. Continuem atentos porque vem muita coisa boa.


