A vida é feita de incertezas e, ainda assim, insistimos em sofrer antes do tempo. Olhamos para o futuro com o coração apertado, inventamos tempestades, ensaiamos quedas que talvez nunca aconteçam. Construímos cenários de perda, repetimos medos antigos, damos corpo a sombras que só existem na imaginação. E, enquanto isso, deixamos escapar o instante que pulsa vivo nas nossas mãos, o único tempo que verdadeiramente nos pertence.
“Vais atravessar essa ponte quando lá chegares.” Há uma ternura imensa nesta frase. Uma sabedoria simples que nos devolve ao presente. Ela recorda-nos que não precisamos carregar hoje o peso do que ainda não existe. Há batalhas que nunca serão travadas. Há despedidas que nunca acontecerão. Há fantasmas que desaparecem quando ousamos acender a luz da confiança.
A ansiedade tenta convencer-nos de que devemos prever tudo, controlar tudo, proteger-nos de tudo. Mas a vida não se deixa dominar pelo medo. Crescemos enquanto caminhamos. A cada passo, algo dentro de nós amadurece em silêncio. A coragem não grita nem faz promessas grandiosas; revela-se no momento certo, quando já não há alternativa senão avançar.
Respira devagar. Confia no que já superaste, nas pontes que atravessaste sem saber como. Quando a próxima surgir diante de ti, algo dentro de ti terá crescido o suficiente para dar o primeiro passo. O futuro não se vence com ansiedade, mas com presença. E descobrirás que és maior do que o medo que imaginaste.
O Sentido das Palavras
Carlos Cabrita
2026


