Nos últimos dias temos assistido à passagem de várias depressões climáticas: Ingrid, Joseph e a última Kristin, talvez a mais devastadora e a que mais tragédias trouxe, não apenas a perda de bens, mas do maior bem que temos, a nossa vida. O que lamentamos profundamente e continuamos a rezar por todos. Assistimos nos telejornais a inúmeros relatos, vemos cenas dantescas e de completa destruição. Uma desolação geral. Não podemos ficar indiferentes, e não ficamos. Por isso temos visto também a grande onda de apoio e colaboração, de solidariedade e compaixão de tantos portugueses que saíram de suas casas não para assistir, mas para colocar as ‘mãos na massa’ e dar o seu contributo. O bem tem esta capacidade de disseminação e de transformação. Ouvia, num dos telejornais diários, umas jovens, que tinham estudado em Leiria, dizer algo assim: ‘não somos de cá, mas aqui estudámos e viemos de imediato ao encontro dos leirienses, pois esta é também a nossa cidade e muito lhe devemos’. A gratidão é uma virtude que alarga e move o coração. Fiquei impressionado. Aqui pela nossa Paróquia de Santo André também não somos e não ficamos indiferentes, mas estamos já a colaborar direta e indiretamente com quem mais precisa, fazendo a nossa parte. Não só as Paróquias já enviaram alguma ajuda para quem precisa, mas através da nossa Cáritas Paroquial, em sintonia, com outras Instituições, enviámos roupas e outros bens de primeira necessidade. Outras Instituições da nossa terra estão igualmente a trabalhar e envidar esforços nesta ajuda aos que agora precisam dela. Há uma máxima da quase já esquecida, infelizmente, Ação Católica, ‘ver, julgar e agir’, que permanece atual. Importa continuar a ter esta atenção à realidade, andar de olhos abertos aos outros e às situações, e discernir (julgar, é ter um juízo a partir do bem) como ajudar, como colaborar de forma eficaz e eficiente, para nessa base, agir. Não ficar parado, mas implicarmo-nos e comprometer-nos com os outros que mais precisam. Os portugueses são exemplares nesta matéria. Deixo o nosso reconhecimento a todos os que diretamente e indiretamente estão a prestar o seu apoio, aquele cidadão anónimo, mas de coração grande, e também a todas as Instituições que estão no terreno: os Bombeiros, as Polícias e Militares, a Proteção Civil, e todos os outros. É preciso agora colaborar, mas é preciso continuar a ver, a discernir, a agir, e permita-se-me acrescentar, a prevenir!
A força do bem em tempos de calamidade


