TACA – 55 anos de tradição

E as boas tradições são para se cumprirem.

Talvez não seja esta a forma jornalística mais correta para nos expressarmos sobre a mais recente atividade teatral levada a efeito pelo TACA – Teatro de Animação do Cercal do Alentejo, mas aquilo a que assistimos transcende, em muito, um simples espetáculo de teatro.

Contudo, fruto da entrega à causa da cultura, já se constituiu uma salutar tradição, que acontece no primeiro fim de semana de dezembro, a subida ao palco da Casa do Povo do Cercal do Alentejo, dos elementos que compõem o elenco do TACA, e este ano não foi exceção.

Confessamos uma certa dificuldade em noticiarmos o evento, por tudo o que ele arrasta na sua preparação, organização e formação de talentos e se a tudo isto juntarmos as dificuldades com que o Grupo se depara na preparação de cada peça, então, poderíamos aqui estar a narrar o acontecimento de um autêntico milagre.

‘Na Boa Vai… Ela!!!’, foi o proposto a todo o público que lotou a pequena e desconfortável sala, utilizada para levar à cena mais uma revista à portuguesa, escrita, montada e ensaiada pelo José Luís Assunção, ajudado pela sua diva Carmen Duval e com um elenco recheado de valores que, na estreia, propiciaram umas quatro horas de espetáculo, facto esse que tornou o público assistente, instalado em desconfortáveis cadeiras, igualmente nuns heróis da noite.

Aos primeiros acordes musicais do espetáculo, nos encores do final da primeira parte e do final do espetáculo, devemos confessar a comoção que sentimos ao ver todos os atores e cantores, desde os pequenotes que estão agora a dar os primeiros passos pela nobre ‘Arte de Talma’, até ao mais traquejados nesse pisar, em uníssono, possuídos por uma enorme vontade de mostrarem ao mundo o produto do seu trabalho e esforço em manter o TACA vivo e de saúde.

Quanto ao espetáculo em si, respeitou a estrutura do praticado na revista à portuguesa e até os percalços que alguns artistas revelaram, coisa normal em noite de estreia, foram resolvidos a contento e num espírito de equipa evidenciado por todo o elenco.

Não destacamos este ou aquele quadro, esta ou aquela exibição, porque todo o espetáculo se mostrou uniforme nos objetivos teatrais a serem atingidos.

Talvez seja devida aqui uma justa referência aos cantores profissionais contratados, Joana Luz e Jorge Batista da Silva que, por tradição, poderemos considerá-los como cantores residentes da companhia, e que se exibiram a um nível elevado, recolhendo fortes aplausos do público.

Por muito que escrevêssemos, por muitos prismas de análise crítica que assumíssemos em relação a todo o espetáculo em si, os caminhos seguidos teriam sempre de convergir para a personagem fulcral de tudo aquilo que nos foi apresentado: o José Luís Assunção e a sua diva, Carmen Duval, personagem que ao longo dos anos sempre o acompanhou nos bons e maus momentos que existem na carreira de um artista, criador, ensaiador, produtor, tudo e mais um par de botas como diz o povo, e que o José Luís encarna naquele ser, portador de paixões mil, como cantaria o poeta. Continuamos a defender nestas colunas, que o José Luís, apesar dos múltiplos reconhecimentos que já obteve na longa carreira que baliza todo o seu currículo de vida, ainda não foi alvo daquela homenagem que, por inerência dos feitos praticados, lhe é devida – a construção no Cercal do Alentejo, de um auditório no qual sejam perpetuados o seu nome e a sua ligação à terra que o viu nascer.

Antes do início do espetáculo e numa informal troca de impressões com o Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Bruno Gonçalves Pereira, foi-nos comunicado que o assunto está a ser tratado e encontra-se em fase de projeto.

Aguardemos, pois, a rápida conclusão dessa infraestrutura de que o Cercal do Alentejo tanto carece. Viva o TACA e as suas gentes!                   JOSÉ MANUEL CLARO