Perseguição aos Cristãos

 ‘Assim tereis oportunidade de dar testemunho’

Jesus alertava, segundo o Evangelho de São Lucas, para as perseguições de que os seus discípulos seriam alvo (Lc 25, 12), referindo que tal «seria uma ocasião para dar testemunho» (v.13). Os cristãos nem procuram o martírio nem procuram ser perseguidos, mas viver com espírito e fortaleza cristãs essa ocasião, dando testemunho de Jesus com a própria vida. A perseguição aos cristãos não é tema e não é notícia “relevante” para os meios de comunicação. O facto é que a perseguição aos cristãos tem aumentado e continua em muitas partes do mundo e até na velha Europa. Segundo o ‘Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo’, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, de 2025, nos 196 países analisados, existem 62, onde se registaram restrições graves, 24 com perseguição sistemática e 38 com discriminação generalizada por causa da fé. Os cristãos sofrem cada vez mais violência, descriminação e outras violações dos seus direitos humanos (China, Paquistão, India, Vietname, Nicarágua, etc). Destaca-se a perseguição em África. O caso da Nigéria é gritante: no passado dia 13 de Junho de 2025, no Estado do Benu, mais de 200 cristãos foram mortos por terroristas jihadistas. O Papa Leão, no dia 23 de Novembro, pediu a libertação de estudantes, padres e fiéis que foram sequestrados na Nigéria e nos Camarões. Sem dúvida que é angustiante e aterrador viver em tal situação e as palavras de Jesus, ainda que actuais e estimulantes, não podem deixar de nos fazer pensar. A perseguição também acontece na Europa. Como esquecer o Padre Jaques Hamel que foi degolado na Igreja, depois de celebrar a Santa Missa. Tarda a sua declaração como Santo e Mártir. Sem esquecer as formas sub-reptícias de perseguição como as que atentam contra antropologia cristã veiculadas por certa ideologias, como aquela de género, que nas escolas primárias “educam” as crianças em oposição aos princípios cristãos, basta ler alguns manuais ou ouvir alguns relatos, como aquele que escutei de uma mãe destas minhas Paróquias. As palavras de Jesus permanecem, mas não podemos ficar calados.

Luís Marques