CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro
1 – Frase, utilizada numa campanha publicitária, e que se celebrizou, sendo hoje frequentemente usada, fora do contexto em que foi proferida nessa tal promoção.
E tudo isto, porque o nosso tempo, enquanto seres viventes é o atual, embora suportado pelas vivências que experienciámos ao longo dessa nossa existência e a que chamamos de história de vida, constituindo, esse conjunto de informação, o tal ‘background’, sem o qual não conseguiríamos sobreviver, servindo esse manancial de conhecimento para interpretarmos o mundo que nos cerca, tentando antever com alguma fiabilidade, o nosso posicionamento no contexto social em que nos movimentamos.
2 – Vem tudo isto a propósito, e no seguimento de uma das nossas últimas crónicas sobre a criação de perceções, que serão o último grito da técnica de guerra imposta pelos blocos políticos através da reordenação do espaço de influência e como forma de subjugar os Estados abrangidos pelo novo alinhamento. O bloco americano como que assistiu, por culpa própria, a uma redução drástica da sua esfera de influência no mundo, o que o levou, de uma forma estapafúrdia, a reivindicar como seu, o espaço ocupado pelo Canadá, território soberano, e a Groenlândia, ilha que faz parte integrante do Reino da Dinamarca, ambos os territórios pertencentes a aliados seus na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
3 – Vendo drasticamente reduzido o seu espaço de influência e de uma forma assaz desajeitada, o Presidente do Estados Unidos da América, Ronald Trump, começou por tentar dividir a Europa e a sua Comunidade Económica Europeia (CEE), como que puxando para si a Inglaterra e depois mandando recados aos restantes Países da CEE, sobre o que devem ou não devem fazer.
Os conselhos emanados após cada encontro, foram sempre na ótica da compra pelos Europeus, aos EUA, de autênticos arsenais de defesa para fazerem face ao Bloco de Leste, com quem temos fronteiras.
Surgiu então, a manifesta aversão e correspondente afastamento entre os EUA e a França, igualmente ela, uma grande produtora de material bélico.
Nada conseguindo através da baixa retórica, por vezes tão pobre no capítulo dos argumentos, quase evidenciando um atentado à lucidez de um europeu comum, que os EUA, passaram à guerra das perceções, criando cenários que, de tão inverosímeis, poderiam constituir uns guiões para a sua indústria cinematográfica.
4 – Como que por milagre, começaram inicialmente a aparecer nos céus dos Países que fazem fronteira com a Rússia, uma enorme quantidade de ‘drones’, que levou a reuniões de emergência dos Países que constituem a OTAN, e que facilmente concluíram da necessidade de se instalar um escudo europeu anti ‘drone’. Toda esta envolvência poderia recolher as atenções dos líderes políticos do mundo, se não fosse a tal história que nos ajuda a sobreviver e que, em todas as suas análises nos indicam as proveniências interpretativas das situações constatadas e mais, dos objetivos pretendidos com a sua abordagem. Temos duas guerras às portas da Europa, bastante diferenciadas entre si, mas quase que nos atrevemos a prever que o conflito que se trava no Médio Oriente, lá para os lados da Faixa de Gaza, será o único que representará um real perigo para a Europa e muito particularmente para Portugal.
Diz-nos a história, que os EUA, em todas as atividades bélicas em que se envolveram e após cessar a compra do tal material bélico de que são grandes produtores mundiais, abandonaram esses territórios e as suas gentes, originando autênticas tragédias humanitárias por essas paragens. Será que, qualquer um destes dias, os EUA, não abandonarão Israel, tal como fizeram ao longo de toda a nossa história recente, noutras zonas do globo?
Quando estalou este último conflito entre Israel e os Palestinianos, em duas semanas, Lisboa foi invadida, é o termo, por 27.000 judeus que, se arvorando de dupla nacionalidade, por serem descendentes dos sefarditas que por aqui viveram nos séculos quinze e dezasseis, esgotaram a lotação hoteleira em toda a Lisboa e arredores. Será que uma alteração no paradigma deste conflito, com o consequente êxodo Israelita para Portugal, não provocará uma retaliação palestiniana que, num exacerbado e justificado antissemitismo, igualmente se deslocará para dentro das nossas fronteiras? JOSÉ MANUEL CLARO


