Bem-Vindo… Padre Luís Filipe

José Manuel Claro

A chegada de um novo Padre à Paróquia de Santa Maria, para nós que somos agnósticos, reveste-se de uma curiosidade relativa, ditada essencialmente por aspetos emergentes da colaboração que há vários anos prestamos no Jornal ‘O Leme’, hoje um quinzenário, com a já bonita e provecta idade de 41 anos, e pela intervenção social que a Paróquia de Santa Maria desenvolve no seio da nossa vida citadina.

Pela inerência de funções, o Padre Luís Filipe, assumirá a Direção do jornal, com cuja estrutura de publicação e funcionamento já contactou, aquando da última edição.

Se bem que isto do jornalismo, está balizado por um apertado código deontológico, entendemos que de um conhecimento humano recíproco mais profundo, só poderão advir vantagens futuras, para o desempenho das funções de cada um.

Agendado um encontro, de acordo com as disponibilidades pessoais, foi durante essa conversa que nos demos a conhecer mutuamente e foi desse encontro franco, que resultou o presente trabalho que hoje vos apresentamos, com o fim de igualmente, toda a população de Santo André, passe a conhecer melhor, o homem que desde o dia 30 de agosto último, assumiu a Paróquia onde, a Igreja enquanto entidade religiosa, em muito transcende essas funções, estendendo a sua atividade por vários campos de interação social.

Como resultado final desse nosso encontro, não poderemos considerar o presente trabalho como uma entrevista, uma vez que não fizemos as tradicionais perguntas ao nosso interlocutor, antes diremos, que o presente texto será o resultado de uma meia dúzia de tópicos que usámos mutuamente para nos darmos a conhecer e de cujos considerandos feitos pelo novo Pároco, nos foi permitido respigar as referências que nos propiciaram saber um pouco mais do percurso seguido pelo novo Pastor da Paróquia de Santa Maria e que, certamente, terão interesse para o leitor: «tentando que a narrativa não se torne demasiado exaustiva, sempre vos direi que nasci em Lisboa, em S. Sebastião da Pedreira, local onde era hábito nascerem quase todos os alfacinhas, a 22/11/1982, portanto, festejarei o meu 43º aniversário em breve».

Qual recolha de dados para um Cartão de Cidadão, continuámos a nossa conversa: «a minha mãe era de Lisboa e o meu pai da Beira Alta, Satão, Concelho de Viseu e na família, para além dos meus pais, somos 5 irmãos, 4 rapazes e uma rapariga».

Estamos perante um citadino da capital que, quer aceitemos quer não, será uma condição que marca a vida de qualquer pessoa que passe por essas vivências: «o primeiro sítio em que vivemos foi em Xabregas, junto à Casa Pia. Mais tarde, mudámo-nos para um Bairro Social de casas pré-fabricadas em Marvila, perto da Feira do Relógio, onde fiz o primeiro ciclo da instrução primária, tendo depois frequentado o Ciclo Preparatório na Escola Damião de Góis».

Digamos que a traços largos, o Padre Luís Filipe, palmilhou a primeira infância de acordo com os ditames da época e quanto ao ensino secundário: «frequentei-o nos Olivais, na escola Eça de Queiroz».

Aqui chegados, falámos das preferências desportivas do jovem Luís: «tinha uma predileção pelo futebol, e até chegávamos a faltar às aulas para irmos dar uns pontapés na bola, era a moda».

Contudo, com o correr dos tempos e sujeitos às influências dos que o cercavam: «pratiquei andebol, até ao escalão júnior e como federado, tendo representado a Associação Desportiva e Cultural Encarnação e Olivais».

Por estas alturas da amena conversa, lá quisemos saber quando e como surgiu ao jovem Luís, aquela vocação que o conduziu, uns anos mais tarde, ao sacerdócio: «isso é uma coisa misteriosa, porque eu nunca andei na catequese, mas fui batizado por um Franciscano Conventual, Padre Alberto Bissoli, tendo continuado a não frequentar a catequese e não sei bem, talvez com a exatidão requerida pelo rumo assumido, quando se dá em mim, a manifestação da minha vocação sacerdotal, apenas sei que em determinada altura da minha existência, eu decidi fazer dessa minha vida uma coisa grande, oferecer a minha vida por uma coisa que valesse a pena».

Como que acompanhámos o nosso interlocutor no desfiar memorativo desses primeiros passos ao encontro da fé: «foi então, que em 1999, dirigi-me à Paróquia de S. João de Brito, onde fui encaminhado pelo Sr. Moutinho, antigo seminarista e que se tornou num homem muito importante na minha vida. Fui recebido pelo Padre Lereno, falecido há pouco tempo, e disse-lhe que queria ser como aqueles moços de branco que ajudavam à Missa e que naquela altura nem sabia quem eram e o papel que desempenhavam».

Talvez tentando reagir à súbita aparição daquele miúdo, entrando de uma forma inopinada, Igreja adentro, o Padre Lereno como que fez de imediato, um inquérito sumário: «tendo-me perguntado se eu tinha feito a primeira comunhão, ao que eu espontaneamente respondi que não, mas achava que Deus me chamara a ser Padre, tinha então 16 anos. Recordo que na folha Paroquial, que então era distribuída, o Padre Lereno ter referido em relação à minha pessoa – ‘nunca mais o larguei’».

A nossa curiosidade redirecionou-se para o percurso académico do jovem Luís Filipe que teve a sua evolução normal, apesar da sua determinação em abordar o sacerdócio: «entretanto continuei os estudos na escola secundária, mas com a ideia de me vir a tornar um Franciscano Conventual como o Padre Alberto Bissoli e posteriormente como o Frei Franco, pessoas que me marcaram muito».

Entretanto, no seu currículo escolar surgiu a disciplina de Filosofia e o Professor Pedro Leiroa: «de quem gostei muito, tendo então surgido em mim, a vontade de estudar Filosofia e que me levou a concluir a Licenciatura em Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo aí conhecido uma namorada, mas a vontade de ir para o seminário sobrepôs-se a todo o resto».

Licenciado e com a inabalável convicção de enveredar pelo sacerdócio, seguiu um dos caminhos possíveis: «entrei para o Seminário de Almada em 2006, aquilo a que reputo de uma experiência muito bonita e no âmbito do qual voltei à Universidade, para frequentar o Mestrado Integrado em Teologia na Católica».

Depois de concluídos os Estudos Teológicos: «apresentei-me em Beja, ao Bispo D. António Vitalino, a quem estou eternamente grato, onde estive um ano e sendo depois enviado para fazer um estágio em Sines com o Padre Pereira, tendo sido ordenado Diácono em 8 de dezembro de 2014, e posteriormente Padre em 8 de dezembro de 2015, fazendo este ano dez anos de ordenação sacerdotal».

Entrando na atividade sacerdotal, o Padre Luís, lá foi desfiando o seu curto, mas preenchido currículo: «fui colocado como Vigário Paroquial nas Paróquias da Amareleja, Barrancos, Póvoa e Estrela, durante oito meses, onde gostei muito de servir. Posteriormente, fui nomeado Pároco das Paróquias de Alvito, Vila Nova da Baronia, Odivelas, e simultaneamente Administrador Paroquial em Albergaria dos Fusos. Em 2018 fui colocado em Aljustrel, mas por pouco tempo, e fui para Lisboa onde colaborei no Santuário do Cristo-Rei, em Almada, com o Padre Sezinando, tendo depois sido nomeado Administrador Paroquial do Imaculado Coração de Maria em Vale Figueira, no Concelho de Almada, Freguesia da Sobreda da Caparica onde estive um ano. Em 2020, fui nomeado para Alvalade e Ermidas-Sado, onde estive até ao mês de agosto de 2025, tendo transitado agora para as Paróquias de Santa Maria e de Santo André, Melides, Vicariato do Carvalhal, S. Francisco da Serra, Santa Cruz, acrescendo a tudo isto o jornal ‘O Leme’, e o Centro Social Paroquial de Santa Maria».

Aqui chegados, só poderemos dizer: «Bem-vindo… Padre Luís Filipe».