APESAR DE TUDO…

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

 1 – O País e o mundo continuaram percorrendo um trilho do qual não se sabe ao certo onde irá desembocar, o quando e o modo como o fará.

Internacionalmente o Presidente Americano continua a brincar com o fogo dos outros, sem o mínimo respeito e dignidade requerida por uma das maiores potências mundiais que ainda representa.

Quanto aos outros cenários de conflito por este globo fora, poder-se-á dizer que o mundo adormecido, continuou impávido e sereno a presenciar as chacinas perpetradas por Israel sobre o mártir povo da faixa de Gaza que, aqui mais perto de nós, a Rússia tenta avançar o mais possível no território Ucraniano, para se sentar à mesa das negociações alardeando uma posição de força, perante uma velha Europa que parece que foi de férias.

 

2 – As tentativas hegemónicas evidenciadas pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA), conduziram a manobras de influência junto do Gronelândia, o que levou a Dinamarca a convocar o Embaixador Americano para consultas.

Igualmente os EUA, polvilharam os mares que banham as zonas costeiras Venezuelanas com uma mão bem cheia de argumentos militares, sinal que mais dia menos dia, pretenderá invadir aquele País e depor o seu Presidente, Nicolás Maduro.

Ao ouvirmos as notícias oriundas de várias fontes noticiosas, somos levados a concluir que, cada vez mais, a desestabilização internacional está a tomar conta das nossas vidas e que nem um alinhar correto com as influências dominantes na nossa região, nos conduzirá a um futuro promissor no que concerne à paz e ao progresso.

 

3 – Internamente, a predominância noticiosa prendeu-se com a problemática do fogo, os seus combatentes e os seus ‘ateantes’, na evidência de um motor possível para a nossa economia que, não fossem os danos pessoais e materiais causados, até seriam dignos de um qualquer ‘case study’ que concedesses ao seu ou aos seus autores, um qualquer doutoramento na nobre arte que parece constituir a administração territorial deste antigo jardim à beira-mar plantado.

Dizemos antigo jardim, porque ele está tão chamuscado, tão esturricado que já nem mete dó, revolta-nos.

Da ampla atividade noticiosa, ou qualquer coisa parecida com isso, que nos foi despejada na nossa casa por umas quantas estações televisivas, não fora o desespero das populações a verem toda uma vida de trabalho e sacrifício a serem consumidos pelo chamaréu, que a todos lambia e queimava e, até alturas ouve, em que a empírica justificação de um desses ateadores de fogos florestais o colocou no patamar de um Trump, Presidente dos EUA, que se entretém a atear fogos por esse mundo fora.

Mas dizia assim um detido, com um ar tão convicto de razão que o assistia que, não fora a demência e a iliteracia evidenciada e arriscava-se ainda a ser eleito, um dia destes, Presidente dos EUA.

Mas disse o nosso homem a um entrevistador: «Olhe quando acendi a queimada, nunca pensei que subisse toda a encosta e até se passasse para o Concelho vizinho. Quando resolvi atear o fogo ao meu pasto, até disse à minha mulher: vou aproveitar a presença dos bombeiros para fazer a queimada».

 

4 – O episódio narrado, daria vontade de rir a uma qualquer pessoa dita normal e lúcida se, não encontrasse paralelismo entre este pequeno episódio narrado por um habitante das Beiras, com a ação desenvolvida por estes loucos que andam a incendiar o mundo, queimando e ceifando as esperanças de vida, e que atinge o seu expoente máximo nas lancinantes imagens que chegam até nós de crianças, o futuro do mundo, a morrerem à fome, imagens logo seguidas por declarações igualmente feitas à imprensa, pelo exterminador, Benjamim Netanyahu, com aquela serenidade expressiva certamente escondendo as aflições que sofreu durante a II Guerra Mundial às mãos do nazis. Entretanto, nós por cá, lá vamos combatendo os fogos ateados pela incúria e desleixo humanos.      JOSÉ MANUEL CLARO