1 – Em 2020, o então Presidente Trump, perante o avanço das forças Talibãs e o modo como se posicionavam no terreno, ordenou a retirada das tropas americanas do Afeganistão.
Essa ação de evacuação, foi continuada pelo eleito Presidente Joe Biden, que até a abreviou no tempo, tendo-a consumado uns meses antes da data prevista.
Em relação às operações americanas, para dominarem militarmente os pontos estratégicos resultantes das convenções saídas da II Guerra Mundial. Esta ação de retirada, por parte do exército americano, traduziu-se na prática, por mais uma capitulação americana, tendo como resultado, uma implantação no terreno do Islamic State of Iraque and Syrya (ISIS), estado não reconhecido pela maioria dos Países Árabes da região, e igualmente pela comunidade internacional, originando aquilo a que os outros estados árabes da região denominam de Daesh.
Baseadas nessa ideologia professada pelo extremismo islâmico, são conhecidas três fações que atuam em várias frentes: Al-Qaeda, o Hamas e o Hezbollah.
2 – A Al-Qaeda, responsável pelos ataques do 11 de setembro em Nova Iorque, Washington e na Pensilvânia, será a organização que leva a cabo os ataques mais espetaculares, visando retirar aos países do ocidente, o controlo dos campos de petróleo e outras riquezas do subsolo árabe, tendo sido inicialmente comandada por Osana bin Laden.
O Hamas, organização político-militar de orientação sunita islâmica, que governa a Faixa de Gaza e que perpetrou, a 7 de outubro de 2023, o último grande atentado terrorista contra Israel.
O Hezbollah, é uma organização política e paramilitar fundamentalista islâmica xiita libanesa, que igualmente elegeu Israel como seu principal adversário.
Seguindo a mesma tática de envolvimento, minando as estruturas das forças que se lhe opõem, a Síria, governada por Bashar al-Assad e apoiada pela Rússia, acabou por capitular perante a ofensiva dos Talibãs. Para conseguir estes objetivos militares, os Talibãs aproveitaram o envolvimento da Rússia no conflito com a Ucrânia, situação que enfraqueceu de sobremaneira a capacidade de reação do exército russo que, para manterem o referido conflito, já pediram ajuda militar ao Irão e à Coreia do Norte.
3 – Curiosa, foi a reação dos Estados Unidos da América, que por estes dias apoiaram Israel em centenas de ataques aos paióis militares da Síria, tentando fazer uma política de terra queimada, para que as forças que agora dominam aquele território, tenham mais dificuldade em desenvolveram ações militares futuras, na linha da lógica de resgate das riquezas do subsolo árabe, como atrás referimos.
Parece que as forças americanas, nada aprenderam com as experiências que diretamente viveram enquanto participantes diretas no conflito.
Uma guerra ideológica, pois é disso que se trata, nunca poderá ser vencida pela força militar, ainda para mais exercida à distância, facto que historicamente, continua a ditar desfechos adversos ao poderio militar americano, no mundo. Não estará em causa o desenvolvimento e a eficiência na questão do armamento americano e da preparação humana para o manobrar, mas, se olharmos à história dos últimos séculos e para os grandes conflitos mundiais, será facilmente detetável do fator logístico e o seu contributo para os desfechos dos conflitos registados.
4 – Coreia, Vietname, Afeganistão, não serão experiências suficientes para fazerem ver aos estrategas americanos, que as guerras ideológicas nunca serão vencidas pela força das armas?
Para quê arrastar-se o mundo para um novo conflito mundial, se ficou provado que nem a utilização do poderio atómico, conseguirá vencer a convicção e as ideologias professadas pelos povos.
Convirá aqui lembrar que, potências atómicas, temo-las espalhadas pelo mundo e pertencentes a blocos ideológicos distintos, mas, até aos dias de hoje, a utilização desse poderio contra humanos, apenas foi levado a cabo pelas forças militares norte americanas. Estaremos já um pouco atrasados, no desenvolvimento de ações humanas que mostrem ao mundo a nossa discordância por um futuro que começa a não se mostrar incerto e que aponta para o extermínio massivo da espécie humana, sem que daí advenha qualquer benefício para os poucos humanos que sobreviverem. O amanhã, começou anteontem… se é que haverá amanhã para alguém! JOSÉ MANUEL CLARO
Leme – 867


