ASSIM VAI O MUNDO E… ARREDORES!

CRÓNICA DA QUOTIDIANA VIVÊNCIA – José Manuel Claro

1 – A guerra existe, é real mesmo junto das nossa fronteiras e vai proporcionando uma aprendizagem diária sobre o que é isso da manipulação das massas por via da Comunicação Social.

Num conflito bélico ou uma disputa de qualquer outro cariz, sempre coexistiram a informação e contrainformação que, nas anteriores grandes guerras mundiais, se revelaram úteis, mas comparativamente com o dia de hoje, mais se assemelham a uma brincadeira de crianças.

Com o advento da internet e o surgimento das plataformas digitais, o fenómeno da informação e o seu contrário, ganhou foros de monstruosidade, não só pelos efeitos diretos sobre a população, como pela alocação de recursos para a realizar.

Pessoa que se interesse minimamente pelo ambiente social que a cerca, tropeça a cada passo com as exteriorizações originadas por esta ou aquela notícia, despejada, é o termo, para cima de todos aqueles que incautamente tentam ouvir um noticiário para se documentarem sobre a situação do mundo.

Será apaixonante, para um estudioso da matéria, pessoa que se interesse pelo que o cerca, assistir a este vendaval informativo que, cada vez mais, deverá ser coado pelo nosso entender, olhando para montante e para jusante da fonte noticiosa.

 

2 – Se atentarmos nas reações manifestadas pelas ditas grandes potências, à incorporação de tropas regulares norte coreanas, nas frentes de batalha da guerra que se trava entre a Rússia e a Ucrânia, dará para se ver nas entrelinhas da dita informação e contrainformação, nem todas as potências alinhadas com a cada vez mais esbatida ideologia comunista, como doutrina social de governo de um povo, estará de acordo com a medida adotada pelos soviéticos e norte coreanos.

Poder-se-á argumentar que em tempo de guerra não se limpam armas e utiliza-se tudo o que se tiver à mão, mas será de estranhar que a China, mantenha um prudente distanciamento, através do silencio, da medida agora adotada pelos russos.

Falta de solidariedade socialista? Cremos que não, antes o resultado de uma mudança de estratégia adotada pelos chineses nestas duas últimas décadas, ao longo das quais criaram as condições para dominarem o mundo através do poderio económico e financeiro.

Se não houver recurso ao nuclear, nos dois conflitos que grassam às portas da Europa passaremos, a breve trecho, a ler e a estudar os conflitos atuais, do mesmo modo com estudamos os conflitos que se desenrolaram pelo mundo, nos séculos que nos antecederam.

 

3 – O domínio da economia mundial pelos chineses, está a tornar obsoleto o recurso a armamento sofisticado de extermínio humano,  e a acabar com a utilização dos exércitos como carne para canhão. O China é dona da maior parte da dívida externa dos outros grandes blocos seus antagónicos e as ameaças a que agora assistimos, por parte dos beligerantes diretamente em confronto, poderá ser encarado como o estrebuchar das políticas armamentistas de destruição maciça que, curiosamente, a serem aplicadas, exterminarão os adversários de ambas as barricadas.

Efetivamente o resultado de um conflito nuclear, nos dias de hoje, não terá vencedores nem vencidos, todos perderão. Já o domínio pelo económico, permitirá a hegemonia de um bloco sobre os restantes povos, sem recurso a qualquer armamento.

 

4 – Enquanto isto, o ser humano parece não se aperceber que a sua sobrevivência poderá advir unicamente da forma com resistir às alterações climáticas que muitas das vezes não se agravam como consequência dos inclementes atos naturais, mas sim, como o ser humano a eles se expõe.

As inundações a que assistimos no sul de Espanha e que de cada vez se fazem mais sentir no nosso País, são como que o corolário da impermeabilização dos solos e de uma falta de solidariedade por parte daqueles a quem cabe administrar esses ditos solos.

O preço agora pago, reflete o empurrar com a barriga as responsabilidades daqueles eleitos para administrarem o bem comum – o globo terrestre.

Atentemos ao que se passa em Troia, aqui bem perto de nós, a que uma natural e já anunciada subido do nível das águas do mar, irá originar uma qualquer tragédia, um dia destes.

Enquanto isto, quem de direito, assobia para o lado.         JOSÉ MANUEL CLARO