Helga Nobre
A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, apelou, em Sines, ao fim do transporte de animais vivos por via marítima, considerando ser fundamental que Portugal siga o exemplo de países como o Reino Unido, que proibiu esta atividade.
“É fundamental que os cidadãos estejam consciencializados para a importância do fim do transporte de animais vivos por via marítima, tal como fez já o Reino Unido”, disse Inês de Sousa Real.
De acordo com a líder do Partido Pessoas-Animais-Natureza, que falava durante uma ação de protesto, em Sines, no Distrito de Setúbal, contra o transporte de animais vivos por via marítima, é preciso “vontade política” para abolir esta atividade nos portos nacionais.
“Vontade política porque se, economicamente, nem sequer é mais viável para os próprios produtores enviar os animais vivos, aquilo que pretendemos é que o Estado apoie na transição desta atividade, que se garanta o transporte em carcaça”, defendeu.
A iniciativa foi promovida pela PATAV – Plataforma Anti Transporte de Animais Vivos, em Sines, no âmbito do Dia Internacional de Consciencialização contra o Transporte de Animais Vivos, que se assinalou no passado dia 14 de junho.
Segundo Inês de Sousa Real, Portugal “é o segundo país no ‘ranking’ dos países exportadores para países terceiros de animais vivos e, por isso, urge fazer esta reconversão”.
“Tivemos já, de acordo com dados da DGAV – Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, uma média anual de 58 barcos que são enviados, cada barco tem capacidade para 30 mil animais, ou seja mais de um milhão de animais que é enviado para exportação”.
Ainda de acordo com Sousa Real, “o PAN deu hoje entrada na Assembleia da República de uma iniciativa que volta a apelar ao fim do transporte de animais vivos e que crie uma moratória para que, daqui a um ano, entre em vigor em Portugal o fim desta atividade”.
“Por outro lado, que o Governo crie uma Linha de Apoio para ser possível o abate no local, na exploração ou nos matadouros mais próximos e a implementação de cadeias de transporte de frio ao invés de transportar os animais vivos”, acrescentou.
Para a líder do PAN “é urgente fazer esta reconversão no nosso País e no espaço na União Europeia e no espaço da União Europeia porque só assim podemos diminuir o sofrimento absolutamente injustificável dos animais”.
Por seu lado, Isabel Carmo, da PATAV disse ser urgente acabar com a exportação dos animais vivos, através dos Portos de Sines e de Setúbal, para países do Médio Oriente e Norte de África e aludiu para uma petição que a plataforma lançou, em fevereiro deste ano, para abolir esta atividade.
A petição quer que “a Assembleia da República legisle no sentido de abolir a exportação de animais vivos por via marítima de Portugal para países fora da União Europeia”.
“Estes embarques são pejados de irregularidades e até ilegalidades porque as pessoas que fazem o transporte dos animais não respeitam a legislação que está em vigor, que é comunitária e foi transposta para os Estados membros, com os animais a serem vítimas de violência”, afirmou.
Durante a ação, a ativista da PATAV lamentou ainda que o Ministério do Ambiente tenha recusado um pedido de reunião para abordar estas questões, tendo a plataforma enviado “uma carta- protesto a alertar para esta situação que consideram vergonhosa”.
Jornal 856 – Junho 2024


