Este ano de 2026 a Igreja vive o Jubileu Franciscano, convocado pelo Papa Leão XIV, para assinalar os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. A Congregação Missionárias Franciscanas de Maria celebra também 150 anos da sua fundação e nesta Região 50 anos.
A história das Irmãs Franciscanas Missionária de Maria começa a 6 de janeiro de 1877, em Ootacamund, na Índia onde nascia uma obra nova, fruto da visão audaz e profundamente missionária da Bem aventurada Maria da Paixão (Hélène de Chappotin).
No Alentejo, as Irmãs Franciscanas de Maria também comemoram 50 anos ao serviço da Comunidade. As Irmãs Franciscanas são mulheres chamadas a viver em Comunidades fraternas, centradas na adoração eucarística, e disponíveis para anunciar o Evangelho onde a Igreja está menos presente, com preferência pelos mais pobres. Dedicadas à Missão e espiritualidade Franciscana, atuam na educação, saúde e assistência a vulneráveis, com presença ativa em Portugal.
Missão no Alentejo
A chegada das Franciscanas Missionárias de Maria ao Alentejo, em 1975, respondeu a uma necessidade concreta, onde a presença da Igreja era mais frágil. O Alentejo, marcado por décadas de descristianização e por profundas desigualdades sociais, era um desses territórios.
Deram rosto, voz e coração à Missão Franciscana na Região. Chegaram à Região de Sines em 1975, num tempo de incertezas e mudanças profundas no País. Em 1998 chegaram a Santo André e Santiago, vieram com a simplicidade Franciscana que as caracteriza: sem alarde, sem exigências, apenas com o desejo de servir. Ao longo de mais de 50 anos, passaram por Escolas, Centros de Saúde, Creches, Centros de Dia e Paróquias. Acolheram crianças, ensinaram jovens, cuidaram de doentes, acompanharam idosos, apoiaram famílias em dificuldades.
As primeiras pioneiras foram cinco, Angelina de Jesus, Fernanda Pinto, Joaquina Ferreira, Conceição Martins e Maria Antunes. Cinco mulheres de fé firme, coragem discreta e uma capacidade extraordinária de adaptação. Cada uma trouxe consigo uma vocação específica: educação, saúde, infância, ação social, que moldou a missão desde o início.
O primeiro desafio foi na área da educação, trabalhar com as crianças. A Missão passava não apenas por ensinar conteúdos, mas por promover valores essenciais como o respeito pelo diferente, entreajuda, convivência saudável e capacidade de construir relações verdadeiras. Na saúde e área Social foi o cuidar e estar próximo das pessoas, cuidar do outro tornou‑se um desafio constante, entre muitos outros que o contexto impunha.
As Franciscanas Missionárias de Maria continuam, porém, a desempenhar o papel que as trouxe ao Alentejo: estar próximas das pessoas, sobretudo das mais vulneráveis, e construir pontes num território marcado pela diversidade cultural e por profundas mudanças sociais.
Segundo a Irmã São “atualmente, o acompanhamento das famílias carenciadas mudou profundamente ao longo das décadas. Se antes a pobreza estava associada sobretudo à falta de trabalho, hoje muitas famílias trabalham mas continuam sem rendimento suficiente para viver com dignidade”. As Irmãs reconhecem também outro fenómeno crescente “pessoas que, apesar de terem meios, procuram apoios sociais indevidamente, dificultando o trabalho de quem acompanha casos verdadeiramente urgentes”.
No campo religioso, o cenário é igualmente complexo. Segundo as Irmãs “há quem acolha a Missão, quem a respeite, quem seja indiferente e quem a rejeite. A própria Igreja reconhece que precisa de ler melhor os sinais dos tempos e encontrar novas formas de comunicar a fé num mundo em rápida transformação”.
Neste contexto jubilar, no próximo, dia 31 de Maio, Domingo, será celebrada Missa às 11h00, de agradecimento pela presença das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria entre nós e agradecer a Deus todo o bem que através delas temos recebido. Convidamos quem quiser juntar-se a essa celebração. O Jornal “O Leme” associa-se às comemorações e na próxima edição apresenta um pequenino suplemento como gesto de homenagem e gratidão.
Fátima Moita


