Helga Nobre
A Câmara Municipal de Santiago do Cacém aprovou a alienação de quatro lotes de terreno no Loteamento do Galeão, em Vila Nova de Santo André, destinados à construção de cerca de 378 habitações, incluindo uma componente de fogos a custos controlados.
A decisão foi tomada na reunião de Câmara realizada a 16 de abril e integra uma estratégia mais ampla para reforçar a oferta habitacional no Concelho, numa altura em que o crescimento económico da Região tem vindo a aumentar a procura por habitação.
De acordo com o Presidente da Autarquia, Bruno Gonçalves Pereira, este é um momento relevante para o desenvolvimento do território. “São 378 neste loteamento em Santo André, mas estão previstos também mais de 200 em Santiago do Cacém e, em simultâneo, nas outras Freguesias para moradias unifamiliares”, afirmou, sublinhando o alcance do plano habitacional.
O Autarca adiantou ainda que existe potencial para, de forma faseada, serem construídos mais de três mil fogos adicionais em Vila Nova de Santo André, acompanhando o crescimento esperado da população.
Apesar do consenso em torno da necessidade de aumentar a oferta de habitação, a oposição chamou a atenção para os desafios que este crescimento poderá trazer. A Vereadora da CDU, Sónia Gonçalves, alertou que esta evolução já era previsível. “Estamos alerta para essa situação. É algo que a própria CDU já tinha previsto”, referiu, lembrando que o processo tem origem em mandatos anteriores.
A Autarca destacou ainda a pressão sobre os serviços essenciais: “As escolas em Santo André e Santiago do Cacém já estão praticamente no seu limite. É muito importante perceber de onde vem o financiamento para expandir esta oferta”, frisou, apontando também a necessidade de reforço nas áreas da saúde, rede viária, abastecimento de água e saneamento.
Ainda assim, Sónia Gonçalves defendeu a importância da habitação a custos controlados, considerando que “tem que ser mesmo controlado, porque há especulação”, sublinhando a necessidade de garantir respostas para jovens e famílias do Concelho.
Também a Vereadora do Chega, Cláudia Estêvão, reconheceu a relevância da medida, mas deixou alertas semelhantes. “O crescimento da população é inevitável havendo oferta de emprego. O problema da habitação já vem de trás e os preços aumentam com a escassez”, afirmou.
A eleita considerou essencial garantir que o reforço habitacional seja acompanhado por serviços adequados. “É muito importante assegurar que escolas, pré-escolas e serviços de saúde conseguem responder de forma equitativa”, disse, defendendo também maior intervenção do Estado na área da saúde e medidas para atrair profissionais para o Concelho.
Em resposta, o Presidente da Câmara reconheceu as preocupações levantadas e garantiu que o Município está atento à pressão sobre os serviços públicos.
“Vamos ter uma reunião, em breve, com a Secretária de Estado da Habitação, porque os serviços de Saúde, Justiça e Escolares têm de dar resposta a esta procura acrescida”, revelou.
Segundo Bruno Gonçalves Pereira, entre 20 a 30 dos fogos previstos no Loteamento do Galeão deverão ficar sob gestão direta do Município. A proposta foi aprovada por unanimidade.


