Quem, como eu, que percorre vários quilómetros todos os dias, e mais ainda ao fim de semana, para as muitas celebrações que tenho, já se deu conta do estado lastimoso, inacreditável e, sobretudo, muito perigoso das estradas nacionais que vão de Santo André a Melides, de Melides ao Carvalhal, o conhecido IC 33, sem esquecer estradas secundárias, que não são apenas nacionais. Quem já não viu veículos, vários seguidos até, nas bermas com pneus rebentados, entre outros estragos e alguns a serem auxiliados por reboques? Apesar de todas as formas de diálogo e de sensibilização para a situação, até com marchas lentas, como a que teve lugar de Melides à Cascalheira, grassa uma surdez que a todos incomoda, perturba e mesmo revolta, dado que, este é um lugar comum verdadeiro, cada cidadão e utilizador paga não poucos impostos, e como tal não compreende e não pode aceitar que nada seja feito. Existem troços em que a estrada simplesmente desapareceu. Exigem-se medidas que, como se compreende, sejam a dois tempos, as primeiras, imediatas para minimizar a situação, e as segundas, em tempo útil e razoável, que tem de passar pelo melhoramento dos pavimentos de forma profunda e não apenas com remendos que duram pouco. A situação tal como está não pode e não deve continuar, sob pena de em vez de haver “apenas” um pneu rebentado, aconteça realmente uma tragédia. Este é outro lugar comum, também verdadeiro, infelizmente, que entre nós teima em ser uma realidade. Estamos conscientes dos esforços que muitos dos nossos autarcas têm feito para entrar em diálogo com os responsáveis por estas estradas e isso deve ser salientado. Não obstante, segundo me vai chegando, a luta por parte dos cidadãos vai continuar e se preciso for com formas mais expressivas de contestação. O diálogo é fundamental, mas resolver é a forma mais eficaz que se conhece para que este suposto diálogo deixe de ser de surdos e os cidadãos se sintam ouvidos e considerados.


