Helga Nobre
A CALB, empresa líder em tecnologia de baterias de iões de lítio, realizou, em Sines, o ‘CALB Energy Storage Event’, uma iniciativa, em parceria com a Ordem dos Engenheiros – Pólo de Sines, que reuniu especialistas, decisores e empresas de referência para debater o papel do armazenamento de energia na transição energética europeia.
No evento, que contou com a participação de representantes de entidades como a GALP, Mota-Engil Energia, E-Redes, Greenvolt, Siemens, ABB e APREN, foi debatida a “estratégia para o armazenamento de energia em Portugal e tendências tecnológicas no setor BESS (Battery Energy Storage Systems)”.
Na ocasião, e à margem do encontro, a Diretora Geral da CALB, Sherry Wei, garantiu que a engenharia BESS que a empresa pretende incorporar na gigafábrica de Sines, um investimento de 2.000 milhões de euros, é a melhor da atualidade a nível mundial.
“A tecnologia que vamos transferir para a fábrica portuguesa é líder mundial, e são muitas, desde engenharia, fabrico, equipamentos, design de baterias e tudo isto envolve conhecimento”, frisou.
De acordo com a responsável, da “100 tecnologias que lideram a indústria, 20 são exclusivas” da fabricante chinesa, sendo “uma tecnologia de fabrico muito avançada”.
Questionada sobre o ponto de situação da construção da fábrica, que deverá criar 1.800 postos de trabalho diretos, Sherry Wei, indicou que com o início das terraplanagens, em fevereiro, a previsão aponta para a sua conclusão “no final deste ano”.
“O nosso objetivo é fazer a primeira entrega em 2028, início de 2028”, afirmou.
Ainda de acordo com Sherry Wei, a construção desta fábrica em Sines é estratégica para a proximidade à Europa.
O Porto de Sines “fica muito perto da nossa fábrica” que está a ser construída na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), fazendo a ligação “a Espanha e ao centro da Europa”, explicou.
“Todas estas vantagens dão-nos muita comodidade para a operação e também reduzem os custos”, precisou a dirigente, apontando igualmente para os custos dos colaboradores para a operação.
Os Sistemas de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS) estão a emergir como uma das tecnologias mais transformadoras do setor energético, ao permitirem armazenar eletricidade, frequentemente produzida a partir de fontes renováveis e disponibilizá-la em momentos de maior procura.
Em 2024, a Europa adicionou cerca de 22 GWh de nova capacidade BESS, com um crescimento de 79% em projetos de larga escala. Este 2025, prevê-se que o mercado quase duplique, atingindo 16,2 GWh.
Com o objetivo de assegurar a fiabilidade da rede elétrica e acelerar a transição para energias limpas, esta tecnologia está no centro das políticas energéticas europeias e deverá ultrapassar os 400 GWh de capacidade instalada até 2029.
Em fevereiro, a CALB anunciou o projeto para a construção de uma fábrica de baterias de lítio de última geração em Sines, um investimento inovador de aproximadamente 2 mil milhões de euros, reconhecido pelo Governo português como Projeto de Interesse Nacional (PIN).
A nova unidade industrial deverá criar 1.800 empregos diretos e posicionar Portugal como um polo estratégico na cadeia europeia de valor da energia.


