O Compromisso Cristão com os Pobres

A obra do pintor barroco George de la Tour (1593- 1652), ‘Casal de velhos camponeses comendo’ (1620), é um quadro impactante e que nos deixa inquietos, pelo que nos toca e comove. Ao assinalar-se o Dia Mundial dos Pobres, no próximo dia 16 de novembro, o quadro de George de la Tour expressa plasticamente o conteúdo da primeira Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, intitulada ‘Dilexit te” (‘Eu te amei’, 04-10-2025), cuja leitura recomendo. Este texto sobre o amor para com os pobres, é a continuação da Encíclica do Papa Francisco, ‘Dilexit nos’ (‘Amou-nos’, 24-10-2024), que versa sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus. A Exortação que começou a ser escrita pelo Papa Francisco, foi assumida e continuada por Leão XIV (n. 1-3). O Papa Leão alerta-nos para o facto de que a pobreza se reveste de um carácter multifacetado. A pobreza, para além de ser material é também social, moral, espiritual, cultural e política (n.9). Todas elas devem levar os discípulos de Jesus a agir, porque não podemos “baixar a guarda diante da pobreza” (n.12). Portanto, devemos fazermo-nos próximos dos pobres (n.3), como ilustra a parábola do bom samaritano (Lucas 10, 25-37), trabalhando para erradicar as causas sociais e estruturais da pobreza (n.10). A Igreja, pobre e dos pobres, tem a missão de colaborar pela oração, conversão e acção, na erradicação de todas as formas de pobreza. Na verdade, a Igreja sempre esteve na linha da frente nesta matéria, mesmo quando houve contradições, e continua a ser assim, nomeadamente, através da Cáritas Internacional, que de forma institucional e organizada, exerce o serviço da caridade em favor dos pobres. Também é assim na nossa Diocese de Beja pela ação da Cáritas Diocesana, mas não só. De igual modo a Cáritas Paroquial de Santo André (e muitas outras, por exemplo, Melides e Sines), continua este compromisso para com os pobres, sabendo que nenhuma “expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado” (n.4), com fome ou com sede, com frio e sem que vestir, preso ou doente (Mateus 25, 31-46). Através dos meios de comunicação, e não só, o grito dos pobres continua a fazer-se ouvir, que a Igreja e a sociedade não sejam surdas ou cegas ou inoperantes.