Dia Internacional dos Idosos nas Eleições

Começou o Outono… os castanhos e dourados das folhas caducas no chão, evocam a transitoriedade da vida, a sua caminhada para uma nova etapa, em que o que é lançado à terra, volta a germinar como fonte de vida. Assim é em toda a natureza e há um tempo para tudo debaixo céu como diz o Livro de Qohélet (ou Eclesiastes, 3, 1-8) e que o poema de T. S. Eliot, East Coker, nos seus Quatro Quartetos, canta maravilhosamente, relembrando-nos que todas as etapas da existência são importantes e significativas e o fim é antes um início, uma nova abertura, porque a eternidade está posta no coração dos homens (Qohélet 3,11).

No próximo dia 1 de Outubro celebramos o Dia Internacional do Idoso. Esta fase da vida humana, esse Outono da vida cheio de dourados, quase numa comparação com a fase de ouro de Klimt, não pode ser esquecida e descartada, para usar uma expressão do Papa Francisco, mas valorizada, considerada, amada e defendida. Nesse sentido, já o Papa Leão na sua primeira Mensagem para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (27 de Julho de 2025) refere a sua importância ao dizer: «abraçar um idoso ajuda-nos a entender que a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias, mas desenrola-se rumo ao futuro».

Numa sociedade do imediatismo, do fragmentário, das relações virtuais e líquidas (sem consistência), do descartável, da aparência e de um certo tipo de imagem, a velhice aparece como uma provocação e uma esperança. Provocação, porque nos confronta com a realidade da vida humana em todas as suas fases que não podemos esconder. Como esperança, porque todas as etapas da existência estão revestidas de uma unicidade, de uma beleza e de uma sabedoria, que não podem ser um estorvo ou um peso, mas possibilidade de nos compreendermos e nos valorizarmos como sociedade humana e humanizadora. O Papa Leão na mesma Mensagem reforça: «se é verdade que a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projectar o futuro com sabedoria».

A Sagrada Escritura afirma: «Filho, ampara a velhice do teu pai, não o desgostes durante a sua vida; mesmo se ele vier a perder a razão, sê indulgente, não o desprezes» (Ben Sira 3, 12-13) e ainda «não desprezes a tua mãe, quando ela envelhecer» (Provérbios 23,22). A solidão e o abandono a que são vetados tantos idosos, constitui uma ferida social, para a qual nos alerta o Santo Padre. Sem esquecer a indiferença e mesmo violência física e psicológica de que são alvo os nossos idosos, até da parte dos próprios filhos e outros familiares. Permanecem actuais e proféticas as palavas da Sagrada Escritura e a chamada de atenção do Papa.

Importa não só alertar, mas também sermos protagonistas da mudança que queremos ver realizada. Nesse sentido todos estamos implicados, a sociedade e a Igreja. Por isso, como Paróquia, queremos responder aos apelos do Papa Leão, para levarmos a cabo a «“revolução” da gratidão e do cuidado, a realizar-se através de visitas frequentes aos idosos, criando para eles e com eles redes de apoio e oração, tecendo relações que possam dar esperança e dignidade àqueles que se sentem esquecidos». Já o fazemos em alguns sectores da nossa pastoral, seja através da administração dos sacramentos, seja por meio do nosso Centro Social e Paroquial de Santa Maria, que com a sua resposta de Apoio Domiciliário já presta tantos cuidados exercidos pelas nossas colaboradoras. Apoio que se realiza ainda pela actuação da Caritas Paroquial. Mas queremos ir mais longe, digamos assim, e constituir realmente este Grupo de Visitadores que nos pede o Papa Leão, e assim sermos esta companhia que escuta, cuida e ama. Deixo o desafio a todos os paroquianos, e, eventualmente, a quem desejar participar, que nos contacte, usando para o efeito o nosso e-mail: paroquiasmaria94@gmail.com.

Se é verdade que esta valorização e empenho da sociedade civil e da Igreja é urgente, não é o menos por parte do poder político seja em que instância for. Já se faz muito, mas pode, certamente, fazer-se mais e melhor. Com efeito, aproximam-se as Eleições Autárquicas, momento importante da nossa vida em comum. Assim, devemos ter em conta na hora de ir votar, no próximo dia 12, se os programas eleitorais a sufragar primam pela defesa da dignidade de todas a pessoas, nomeadamente, pela protecção dos nossos idosos contra todas as formas de abuso, bem como pela promoção do cuidado a esta população por parte dos particulares e de todas as Instituições que têm o dever e a missão de os servir. É preciso equacionar a necessidade de colaborar de forma mais eficaz e salutar com tais Instituições, que muitas vezes são sobrecarregadas com uma elevada carga fiscal, exigências desmedidas e parcos apoios por parte do Estado, com quem colaboram na tarefa social. Seria urgente, a título de exemplo, diminuir a TSU, bem como promover o IVA zero para os produtos alimentares e de higiene, dado que muitas Instituições, concretamente, as IPSS’s estão na sua maioria à beira da ruptura e da falência e, consequentemente, de encerrar as suas portas. Deixamos este apelo ao Estado, às Autarquias e também a quem tem o dever de nos representar e defender nas instâncias próprias.

Que nesta tarefa ninguém se coloque de fora e todos sejamos protagonistas desta transformação de esperança!